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LITURGIA DIÁRIA

quarta-feira, 20 de abril de 2011

UM AMOR FEITO DE ATOS - A Relevância Social do Evangelho



Pe. Raniero Cantalamessa



Quarta Prédica de Quaresma


1. O exercício da caridade
Na última meditação, aprendemos de Paulo que o amor cristão deve ser sincero; agora, aprendamos de João que ele deve ser também efetivo: “Se alguém possui bens deste mundo e vê seu irmão em necessidade, mas não tem piedade dele, como poderia o amor de Deus estar nele? Filhinhos, não amemos de palavra nem de língua, mas com obras e de verdade” (1Jo 3, 16-18). Encontramos o mesmo ensinamento, mais plástico, na Carta de Tiago: “Se um irmão ou irmã não têm roupa nem comida, e um de vós lhes dizeis ‘Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos’, mas não lhes dais o necessário ao corpo, de que adianta?” (Tg 2, 16).
Na comunidade primitiva de Jerusalém, esta exigência se traduz na partilha. Dizem que os primeiros cristãos “vendiam suas propriedades e bens e os dividiam com todos, conforme a necessidade de cada um” (At 2,45). Mas o que os movia não era um ideal de pobreza, e sim de caridade. O fim não era serem todos pobres, mas que não houvesse entre eles nenhum necessitado (At 4,34). A necessidade de traduzir o amor em gestos concretos de caridade também não é estranha ao apóstolo Paulo, que, como vimos, insiste tanto no amor do coração. Prova disso é a importância que ele dá às coletas em favor dos pobres, a que dedica dois capítulos inteiros da Segunda Carta aos Coríntios (cf. 2Cor 8-9).
A Igreja apostólica não faz mais do que imitar o ensinamento e o exemplo do Mestre, cuja compaixão pelos pobres, doentes e famintos nunca ficava no sentimento oco, mas se traduzia sempre em ajuda concreta. Aliás, ele fez desses atos concretos de caridade a matéria do juízo final (cf. Mt 25).
Os historiadores da Igreja vêem neste espírito de solidariedade fraterna um dos fatores principais da “missão e propagação do cristianismo nos primeiros três séculos” [1]. Isto se traduziu em iniciativas – e mais tarde em instituições – para o cuidado de doentes, apoio a viúvas e órfãos, ajuda aos presos, alimento para os pobres, assistência para os forasteiros... Este aspecto da caridade cristã, na história e hoje, é tratado na segunda parte da encíclica de Bento XVI “Deus caritas est” e, de modo permanente, pelo Pontifício Conselho “Cor Unum”.



2. O emergir do problema social
A época moderna, em especial o século XIX, sofreu uma reviravolta na abordagem do problema social. Não basta responder caso por caso à necessidade dos pobres e dos oprimidos; é preciso agir sobre as estruturas que criam os pobres e os oprimidos. Que esse terreno é novo, pelo menos na tematização, fica claro pelo próprio título e pelas primeiras palavras da encíclica de Leão XIII “Rerum novarum”, de 15 de maio de 1891: é com ela que a Igreja entra no debate como protagonista. Vale a pena reler o princípio da encíclica:
“A sede de inovações, que há muito tempo se apoderou das sociedades e as tem numa agitação febril, devia, tarde ou cedo, passar das regiões da política para a esfera vizinha da economia social. Efetivamente, os progressos incessantes da indústria, os novos caminhos em que entraram as artes, a alteração das relações entre os operários e os patrões, a influência da riqueza nas mãos dum pequeno número ao lado da indigência da multidão, a opinião enfim mais avantajada que os operários formam de si mesmos e a sua união mais compacta, tudo isto, sem falar da corrupção dos costumes, deu em resultado final um temível conflito”.
É nesta perspectiva que se posiciona a segunda encíclica do Santo Padre Bento XVI sobre a caridade: “Caritas in veritate”. Eu não tenho nenhuma competência nesta matéria e, portanto, me abstenho de entrar no mérito dos conteúdos dela e das outras encíclicas sociais. O que eu gostaria de fazer aqui é ilustrar o substrato histórico e teológico, o “Sitz im Leben” desta nova forma do magistério eclesiástico: como e por que começaram as encíclicas sociais e como e por que novas encíclicas sociais são escritas periodicamente. Isto pode nos ajudar a descobrir coisas novas sobre o evangelho e sobre o amor cristão. São Gregório Magno diz que “a Escritura cresce com aqueles que a lêem” (cum legentibus crescit) [2], ou seja, ela sempre mostra novos significados conforme as perguntas que lhe fazemos, e isto se mostra particularmente verdadeiro neste âmbito do social.
A minha reconstituição será feita com breves pinceladas, como não poderia deixar de ser nestes poucos minutos, mas as sínteses e os resumos também têm a sua utilidade, ainda mais quando não temos a possibilidade de aprofundar pessoalmente em certos problemas, por causa da diversidade dos nossos compromissos.
Na época em que Leão XIII escreveu a sua encíclica social, havia três orientações dominantes quanto ao significado social do evangelho. A mais em voga era a interpretação socialista e marxista. Marx não tinha se ocupado com o cristianismo desse ponto de vista, mas alguns seguidores imediatos dele (Engels de um ponto de vista ainda ideológico e Karl Kautsky de um ponto de vista histórico) abordaram o problema, no âmbito da sua pesquisa sobre os “precursores do socialismo moderno”.
As conclusões deles são as seguintes. O evangelho foi um grande anúncio social aos pobres; todo o resto, o seu revestimento religioso, é secundário, é uma “superestrutura”. Jesus foi um grande reformador social, que quis remir as classes inferiores da miséria. O seu programa prevê a igualdade de todos os homens, o suprimento da necessidade econômica. A primitiva comunidade cristã viveu um comunismo ante litteram, de caráter ainda ingênuo e não científico: um comunismo mais no consumo do que na produção dos bens.
Depois, a historiografia soviética do regime rejeitaria essa interpretação, que, segundo eles, concedia papel demais ao cristianismo. Nos anos 60 do século passado, a interpretação revolucionária reapareceu, desta vez na política, com a tese de um Jesus chefe de um movimento “zelote” de libertação, mas teve vida curta nos nossos campos (o Santo Padre recorda esta interpretação no seu último livro sobre Jesus, falando da purificação do templo).
Quem chega a uma conclusão análoga à marxista, mas dentro de uma proposta muito diferente, é Nietzsche. Ele concorda com os marxistas quanto ao cristianismo ter nascido como um movimento das classes inferiores, mas o parecer dele é todo negativo: o evangelho encarna o “ressentimento” dos fracos contra as naturezas vigorosas; é a “inversão de todos os valores”, um cortar as asas do decolar humano rumo à grandeza. Tudo o que Jesus se propusera seria difundir no mundo, em oposição à miséria terrena, um “reino dos céus”.
Estas duas escolas – concordantes no modo de ver, mas opostas na conclusão – se vêem acompanhadas por uma terceira, que podemos chamar de conservadora. Jesus não teria se interessado pelos problemas sociais e econômicos; atribuir-lhe tais interesses seria diminuí-lo, mundanizá-lo. Ele citou o mundo do trabalho e se compadeceu de pobres e miseráveis, mas nunca visou a melhoria das condições da vida terrena.



3. A reflexão teológica: teologia liberal e dialética
Estas são as ideias dominantes na cultura daquele tempo, quando começa uma reflexão teológica por parte das igrejas cristãs. Ela também se desenvolve em três fases e apresenta três orientações: a da teologia liberal, a da teologia dialética e a do magistério católico.
A primeira resposta é a da teologia liberal do fim do século XIX e começo do XX, representada principalmente por Ernst Troeltsch e Adolph von Harnack. Vale a pena parar um pouco para olhar as ideias desta escola, porque muitas das suas conclusões, pelo menos neste campo específico, são as mesmas do magistério social da Igreja, embora por outros caminhos. Elas são ainda hoje atuais e compartilháveis.
Troeltsch contesta o ponto de partida da interpretação marxista, segundo a qual o fator religioso é sempre secundário em comparação com o fator econômico, uma simples superestrutura. Estudando a ética protestante e o início do capitalismo, ele demonstra que, se o fator econômico influi no religioso, também é verdade o contrário. São dois âmbitos diferentes, não subordinados um ao outro.
Harnack, por sua vez, observa que o evangelho não nos dá um programa social voltado a combater e abolir a necessidade e a pobreza, não dá pareceres sobre a organização do trabalho e sobre outros aspectos importantes hoje, como a arte e a ciência. Mas acrescenta que é muito melhor assim. Teria sido péssimo se o evangelho tivesse ditado regras sobre as relações entre as classes, as condições de trabalho, e assim por diante. Para serem concretas, essas regras teriam nascido fatalmente ligadas às condições do mundo da época (como é o caso de muitas instituições e preceitos sociais do Antigo Testamento), e, portanto, ficariam logo anacrônicas e inúteis para o evangelho. A história, também a do cristianismo, mostra como é perigoso ligar-se a contextos sociais e instituições políticas de uma certa época e como é difícil desamarrar-se deles depois.
“Mas”, prossegue Harnack, “não há outro exemplo de religião surgida com verbo social tão poderoso como a religião do evangelho. E por quê? Porque as palavras ‘ama o próximo como a ti mesmo’ são aqui realmente levadas a sério, porque com estas palavras Jesus iluminou toda a realidade da vida, todo o mundo da fome e da miséria... Substitui um socialismo fundado em interesses antagônicos por um socialismo que se fundamenta na consciência de uma unidade espiritual... A máxima do ‘livre jogo das forças’, do ‘viver e deixar viver’ – seria melhor dizer ‘viver e deixar morrer’ – é abertamente oposta ao evangelho” [3].
A posição da mensagem evangélica se opõe, então, tanto à redução do evangelho a proclamação social e luta de classes quanto à posição do liberalismo econômico do livre jogo das forças. O teólogo evangélico se deixa conduzir por um certo entusiasmo: “Um espetáculo novo”, escreve ele, “se apresentava ao mundo: até então, a religião se adaptava facilmente ao statu quo do mundo, ou se acampava nas nuvens, em direta oposição a tudo. Mas agora ela tinha um novo dever a cumprir: combater a necessidade e a miséria desta terra, e, similarmente, a terrena prosperidade, reduzindo misérias e necessidades de todo tipo; elevar a vista ao céu na coragem que vem da fé, e trabalhar com o coração, com as mãos e com a voz pelos irmãos desta terra” [4].
O que a teologia dialética, sucessora da liberal após a primeira guerra mundial, reprova nesta visão liberal? Antes de tudo, o seu ponto de partida, a sua ideia do reino dos céus. Para os liberais, isso é de natureza essencialmente ética; um sublime ideal moral, que tem como fundamentos a paternidade de Deus e o valor infinito de toda alma; para os teólogos dialéticos (K. Barth, R. Bultmann, M. Dibelius), isso é de natureza escatológica; é uma intervenção soberana e gratuita de Deus, que não se propõe mudar o mundo, mas denunciar a sua situação atual (“crítica radical”), anunciar o seu fim iminente (“escatologia consequente”) e lançar o apelo à conversão (“imperativo radical”).
O caráter de atualidade do evangelho consiste no fato de que “tudo o que é exigido não é exigido em geral, por todos e para todos os tempos, mas por este homem e talvez só por ele, neste momento e talvez só para este momento; e é exigido não com base num princípio ético, mas por causa da situação de decisões em que Deus colocou esse homem, e talvez somente a ele, no aqui e agora” [5]. A influência do evangelho no social se dá no singular, no indivíduo, não através da comunidade ou da instituição eclesial.
A situação enfrentada hoje por quem acredita em Cristo é a mesma que foi criada pela revolução industrial, com as mudanças que ela trouxe ao ritmo da vida e do trabalho, com o consequente desprezo pela pessoa humana. Diante dela, não há “soluções cristãs”; cada crente é chamado a responder com a própria responsabilidade, em obediência ao apelo que Deus lhe faz na situação concreta em que ele vive, mesmo se o critério de fundo é o preceito do amor ao próximo. O cristão não deve se resignar com pessimismo às situações, mas também não deve se iludir com a mudança do mundo.
Pode-se falar ainda, nesta perspectiva, de uma relevância social do evangelho? Sim, mas só de método, não de conteúdo. Explico: esta visão reduz o significado social do evangelho a um significado “formal”, excluindo todo significado “real” ou de conteúdo. Em outras palavras, o evangelho apresenta o método, o impulso, para um correto posicionamento e um reto agir cristão no social.
Este é o ponto fraco desta visão. Por que atribuir aos relatos e às parábolas evangélicas um significado somente formal e não também um significado real e exemplar? É lícito, por exemplo, na parábola do rico epulão, ignorarmos as indicações concretas e claras sobre o uso e abuso da riqueza, o luxo, o desprezo pelo pobre, para nos atermos apenas ao “imperativo do agora” que ressoa na parábola? Não é estranho que Jesus pretendesse apenas dizer que ali, diante dele, era preciso decidir-se por Deus e, para dizer isso, ele tivesse construído um relato tão complexo e detalhado que, em vez de concentrar, só desviaria a atenção do centro de interesse?
Uma solução assim, que dissolve a mensagem de Cristo, parte da premissa errada de que não existem exigências comuns na palavra de Deus, que se impõem ao rico de hoje como se impunham ao rico – e ao pobre – do tempo de Jesus. Como se a decisão pedida por Deus fosse algo vazio e abstrato, um mero decidir-se, e não um decidir-se a respeito de algo. Todas as parábolas de fundo social são definidas como “parábolas do reino” e assim o seu conteúdo é achatado num único significado, o escatológico.



4. A doutrina social da Igreja
A doutrina social da Igreja católica, como sempre, procura mais a síntese do que a contraposição, o método do et-et em vez do aut-aut. Ela mantém a “dupla iluminação” do evangelho: a escatológica e a moral. Em outras palavras: concorda com a teologia dialética no fato de o reino de Deus pregado por Cristo não ser de natureza essencialmente ética, isto é, um ideal inspirado na validade universal e na perfeição dos seus princípios, mas sim uma iniciativa nova e gratuita de Deus, que, com Cristo, irrompe do alto.
Ela se afasta, porém, da visão dialética no modo de conceber a relação entre esse reino de Deus e o mundo. Entre eles não existe só oposição e inconciliabilidade, como não existe oposição entre a obra da criação e a da redenção, nem entre ágape e eros. Jesus comparou o reino de Deus com o fermento na massa, com a semente lançada à terra, com o sal que dá sabor; ele diz que não veio julgar o mundo, mas salvá-lo. Isto nos mostra o influxo do evangelho no social a partir de uma perspectiva diferente e muito mais positiva.
Apesar de todas as diferenças de posicionamento, há conclusões comuns que emergem de toda a reflexão teológica sobre a relação entre o evangelho e o social. Podemos resumi-las assim: o evangelho não aponta soluções diretamente voltadas aos problemas sociais (vimos que seria péssimo se tivesse apontado); mas ele contém princípios que se prestam a elaborar respostas concretas para diversas situações históricas. Já que as situações e problemas sociais mudam de época em época, o cristão é chamado cada vez a encarnar os princípios do evangelho na situação do momento.
A contribuição das encíclicas sociais dos papas é precisamente esta. Por isso elas se subseguem, cada uma retomando o discurso do ponto até o qual chegaram as precedentes (no caso da encíclica de Bento XVI, o ponto é retomado da “Populorum progressio”, de Paulo VI), e o atualizam com base nas novas instâncias da sociedade (neste caso, o fenômeno da globalização) e também com base numa interrogação sempre nova da palavra de Deus.
O título da encíclica social de Bento XVI, “Caritas in veritate”, indica quais são, aqui, os fundamentos bíblicos sobre os quais se pretende amparar o discurso sobre o significado social do evangelho: a caridade e a verdade. “A verdade”, escreve, “preserva e exprime a força de libertação da caridade nas vicissitudes sempre novas da história […]. Sem a verdade, sem confiança e amor à verdade, não há consciência nem responsabilidade social, e o agir social se deturpa em favor de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, ainda mais numa sociedade em vias de globalização, em momentos difíceis como os atuais” [6].
A diversidade não está só nas coisas ditas e nas soluções propostas, mas também no modelo adotado e na autoridade da proposta. Consiste, em outras palavras, na passagem da livre discussão teológica para o magistério, e de uma intervenção social de natureza exclusivamente “individual” (coma a proposta pela teologia dialética) para uma intervenção comunitária, como Igreja e não só como indivíduos.



5. A nossa parte
Encerremos com um ponto prático que interpela todos nós, inclusive os que são chamados a agir diretamente no âmbito social. Vimos a ideia que Nietzsche tinha da relevância social do evangelho. O evangelho, para Nietzsche, era o fruto de uma revolução, mas uma revolução negativa, uma involução em comparação com o legado grego; era a revanche dos fracos contra os fortes. Um dos pontos que Nietzsche mais ressaltava era a preferência dada ao servir no lugar do dominar, ao tornar-se pequenos em vez de querer emergir e aspirar a coisas grandes.
Ele acusava o cristianismo por um dos mais belos dons que ele deu ao mundo. Um dos princípios com que o evangelho mais beneficamente influi no social é justamente o do serviço. Não é à toa que ele ocupa um lugar importante na doutrina social da Igreja. Jesus fez do serviço um dos pontos cardeais do seu ensinamento (Lc 22,25); ele mesmo diz que veio para servir e não para ser servido (Mc 10,45).
O serviço é um princípio universal; ele se aplica a todos os aspectos da vida: o estado deveria estar a serviço dos cidadãos, o político a serviço do estado, o médico a serviço dos doentes, o professor a serviço dos alunos… Mas ele se aplica de modo todo especial aos servidores da Igreja. O serviço não é, em si, uma virtude (em nenhum catálogo das virtudes ou dos frutos do Espírito se menciona a diakonia), mas brota de diversas virtudes, em particular da humildade e da caridade. É um modo de manifestação daquele amor que “não procura só o próprio interesse, mas também o dos outros” (Fil 2,4); que doa sem procurar contrapartida.
O serviço evangélico, oposto ao do mundo, não é prestado pelo inferior, pelo necessitado, mas pelo superior, aquele que ocupa os postos mais altos. Jesus diz que, na sua Igreja, é principalmente “quem governa” que deve ser “como aquele que serve” (Lc 22, 26); o primeiro deve ser “o servo de todos” (Mc 10,44). Estamos nos preparando para a beatificação de João Paulo II. No seu livro Dom e mistério, ele expressa com uma imagem forte este significado da autoridade na Igreja. Trata-se de versos que ele compôs em Roma no tempo do concílio:
“És tu, Pedro. Queres ser aqui o Pavimento
Sobre o qual os outros caminham...
Para chegar lá onde lhes guias os passos;
como a rocha sustenta o casco de um rebanho”.
Para encerrar, escutemos as palavras que Jesus disse aos discípulos logo após lhes lavar os pés como dirigidas a nós, aqui e agora: “Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu sou. Se eu, que sou o Senhor e o Mestre, lavei os vossos pés, deveis também vós lavar-vos os pés uns aos outros. Eu vos dei o exemplo, para fazerdes como eu fiz” (Jo 13 12-15).
[Traduzido do original italiano por ZENIT]



Notas:
1. A. von Harnack, Mission und Ausbreitung des Christentums in den ersten drei Jahrhunderten, Lipsia 1902.
2. S. Gregório Magno, Comentário a Jó, XX,1 (CCL 143°, pg.1003).
3. A. von Harnack, Das Wesen des Christentums, Lipsia 1900.
4. A. von Harnack, O cristianismo e a sociedade, edição italiana, Mendrisio 1911, pgs. 12-15.
5. M. Dibelius, Das soziale Motiv im N. Testament, in Botschaft und Geschichte, Tubingen 1953, pgs. 178-203.
6. Bento XVI, “Caritas in veritate”, nº 5.






in zenite.org

Ética civil não pode virar as costas para ética cristã



Arcebispo considera que essa é uma luta missionária da Igreja Católica

ZENIT.org



“A porosidade da ética civil, que sustenta fluxos e dinâmicas na sociedade, pode explicar atrasos, desvarios e absurdos de cenários e condutas, e até de fatos cruéis como o massacre de crianças e adolescentes na Escola de Realengo.”



O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, faz essa afirmação em artigo divulgado à imprensa, num texto em que defende a contribuição da ética cristã para o desenvolvimento da ética civil.



Acontecimentos como o do Realengo “exigem que se ponha a mão na consciência para que haja antecipação de encaminhamentos e providências que darão rumo diferente a esta sociedade enferma. Do contrário, corre-se contra o tempo, numa tentativa de apenas minimizar prejuízos,



muitos deles fatais e irreversíveis na vida de indivíduos, famílias e comunidades”.



O arcebispo reconhece que na sociedade contemporânea há um pluralismo moral, mas “que não dispensa a construção de convergências até para garantir a insubstituível dinâmica democrática como questão de civilidade”.



“O que caracteriza a ética civil não pode prescindir do que vem da moral cristã - contribuição indispensável, tanto pela solidez de seus princípios quanto pela missão daqueles que creem em Cristo têm, no sentido de contribuir e participar da confecção e manutenção do tecido determinante na vida da sociedade.”



“Por um lado considera-se a diversidade que emoldura a postura moral na sociedade pluralista. Por outro, o atendimento da demanda na configuração da ética civil não pode virar as costas para o acervo inesgotável que é a ética cristã”, afirma.
Segundo Dom Walmor, essa é uma luta missionária da Igreja Católica, considerando a gravidade do desafio.



Não se pode assistir de braços cruzados – prossegue o arcebispo – ao “processo de configuração, por vezes de deterioração, da ética civil, indispensável no sustento da sociedade contemporânea”.
“A sustentabilidade é um âmbito que não pode apenas considerar números, rendimentos, a conservação da natureza e outros itens também importantes para a vida no planeta. Em toda e qualquer sociedade, a moralidade é uma alavanca de sustentação para a qual não há substitutos.”



“A corrupção, a indiferença, os interesses cartoriais e outras dinâmicas perversas prejudicam a vida social e política. Diariamente, os noticiários, em diferentes meios, preenchem a maior parte do tempo tratando questões desse âmbito, revelando as origens dessas vulnerabilidades comprometedoras”, afirma.



“É verdade que a ética civil tem leito próprio em relação à confessionalidade. Ora, a vida social não é dirigida por uma determinada profissão de fé. Reporta, pois, ao tema da laicidade, que é entendida como racionalidade e não como confessionalidade.”



Dom Walmor explica ainda que ética civil não se confunde com civismo. “O civismo é a expressão da convivência cidadã ajustada aos usos convencionais, enquanto a ética civil refere-se ao universo da responsabilidade e dos valores morais”.



“O termo civil não pode ser entendido como contraposição ao que é militar, ou eclesiástico, ou mesmo ao social e profissional, embora nestes tenha uma grande e importante incidência.”



“A ética civil é, pois – prossegue o arcebispo –, a referência à instância moral da cidadania e da civilidade. Essa instância moral não pode ser esgarçada e diluída sob pena de prejuízos sérios, como se pode constatar na dimensão moral da vida humana, com repercussão na convivência social e cidadã em geral.”



“A amplitude desse campo de abordagem - com suas peculiaridades - merece, entre outros pontos de constante reflexão, a preocupação com as vulnerabilidades dos limites humanos”, afirma.



Esses limites “têm nomes como o interesse exagerado pelo dinheiro, que faz deste o ponto determinante de negociações, impedindo, muitas vezes, a permanência de projetos de grande importância para a sociedade”.



“Não menor é a vulnerabilidade que se constata pelo descompasso da estatura adquirida na competência profissional e humana, impedindo muitos de aguentar desafios, de fazer sacrifícios e de permanecer nas ‘trincheiras’ por altruísmo.”



“Atitudes que não permitem que questões menos relevantes os levem à condição de desertores bem no auge da batalha. Esse é um enorme desafio emoldurado pela carência de entendimentos no âmbito da ética civil”, assinala Dom Walmor.

Catequese do Papa: todos nós somos chamados à santidade



Queridos irmãos e irmãs:



Nas audiências gerais dos últimos dois anos, estivemos na companhia de muitos santos e santas: aprendemos a conhecê-los de perto e a entender que toda a história da Igreja está marcada por esses homens e mulheres que, com sua fé, seu amor, sua vida, foram luzes de muitas gerações, e são também para nós. Os santos manifestam de muitas maneiras a presença poderosa e transformadora do Ressuscitado; deixaram que Cristo possuísse tão plenamente suas vidas, que podiam afirmar, como São Paulo, "Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2,20). Seguir seu exemplo, recorrer à sua intercessão, entrar em comunhão com eles "nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus" (‘Lumen Gentium', 50). No final deste ciclo de catequeses, eu gostaria de oferecer algumas ideias sobre o que é a santidade.
O que significa ser santo? Quem é chamado a ser santo? As pessoas geralmente pensam que a santidade é uma meta reservada a uns poucos escolhidos. São Paulo, no entanto, fala do grande projeto de Deus e diz: "Nele (Cristo), Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no amor" (Ef 1,4). E fala de todos nós. No centro do desígnio divino está Cristo, em quem Deus mostra seu Rosto: o Mistério escondido nos séculos se revelou na plenitude do Verbo feito carne. E Paulo diz depois: "Pois Deus quis fazer habitar nele toda a plenitude" (Cl 1,19). Em Cristo, o Deus vivo se tornou próximo, visível, audível, tangível, de maneira que todos pudessem receber a plenitude de graça e de verdade (cf. Jo 1,14-16). Portanto, toda a existência cristã conhece uma única lei suprema, que São Paulo expressa em uma fórmula que aparece em todos os seus escritos: em Cristo Jesus.



A santidade, a plenitude da vida cristã, não consiste em realizar empresas extraordinárias, mas na união com Cristo, na vivência dos seus mistérios, fazendo nossas as suas atitudes, pensamentos, comportamentos. A medida da santidade é dada pela altura da santidade que Cristo alcança em nós, daquilo que, com o poder do Espírito Santo, modelamos da nossa vida segundo a sua. É configurar-nos segundo Jesus, como diz São Paulo: "Pois aos que ele conheceu desde sempre, também os predestinou a se configurarem com a imagem de seu Filho" (Rm 8,29).



E Santo Agostinho exclama: "Viva será minha vida repleta de ti" (Confissões, 10,28). O Concílio Vaticano II, na constituição sobre a Igreja, fala com clareza do chamado universal à santidade, afirmando que ninguém está excluído: "Nos vários gêneros e ocupações da vida, é sempre a mesma a santidade que é cultivada por aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus (...). Seguem a Cristo pobre, humilde, e levando a cruz, a fim de merecerem ser participantes da sua glória" (n. 41).
Resta a pergunta: Como podemos trilhar o caminho da santidade, responder a este chamado? Posso fazer isso com as minhas forças? A resposta é clara: uma vida santa não é primariamente o resultado dos nossos esforços, das nossas ações, porque é Deus, três vezes Santo (cf. Is 6, 3), que nos torna santos, e a ação do Espírito Santo, que nos anima a partir do nosso inteiro, é a própria vida de Cristo Ressuscitado, que se comunicou a nós e que nos transforma. Para dizê-lo novamente, segundo o Concílio Vaticano II: "Os seguidores de Cristo, chamados por Deus e justificados no Senhor Jesus, não por merecimento próprio, mas pela vontade e graça de Deus, são feitos, pelo Batismo da fé, verdadeiramente filhos e participantes da natureza divina e, por conseguinte, realmente santos.



É necessário, portanto, que, com o auxílio divino, conservem e aperfeiçoem, vivendo-a, esta santidade que receberam" (ibid., 40). A santidade, portanto, tem sua raiz principal da graça batismal, no ser introduzidos no mistério pascal de Cristo, com o qual Ele nos dá seu Espírito, sua vida de Ressuscitado. São Paulo destaca a transformação que a graça batismal realiza no homem e chega a cunhar uma expressão nova, construída com a preposição "com": ‘mortos com', ‘sepultados com', ‘ressuscitados com', ‘vivificados com' Cristo; nosso destino está indissoluvelmente ligado ao seu. "Pelo batismo fomos sepultados com ele em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova" (Rm 6,4). Mas Deus sempre respeita a nossa liberdade e pede que aceitemos este dom e vivamos as exigências que ele comporta; pede que nos deixemos transformar pela ação do Espírito Santo, conformando a nossa vontade com a vontade de Deus.
Como pode acontecer que a nossa maneira de pensar e as nossas ações se convertam no pensar e agir com Cristo e de Cristo? Qual é a alma da santidade? Novamente, o Concílio Vaticano II nos diz que a santidade não é outra coisa senão a caridade vivida plenamente. "E nós, que cremos, reconhecemos o amor que Deus tem para conosco. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele" (1 Jo 4,16). Agora, "o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5); por isso, o primeiro dom e o mais necessário é a caridade, com a qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor a Ele.



Para que a caridade, como uma boa semente, cresça na alma e nos frutifique, todo fiel deve ouvir a Palavra de Deus voluntariamente e, com a ajuda da sua graça, realizar as obras de sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, especialmente da Eucaristia e da liturgia sagrada, aproximar-se constantemente da oração, da abnegação, do serviço ativo aos irmãos e do exercício de todas as virtudes. A caridade, de fato, é o vínculo da perfeição e cumprimento da lei (cf. Cl 3.14; Rm 13, 10); dirige todos os meios de santificação, dá forma a ela e a conduz ao seu fim.
Talvez também essa linguagem do Concílio Vaticano II seja um pouco solene para nós, talvez devêssemos dizer as coisas de uma maneira ainda mais simples. O que é o mais essencial? Essencial é não deixar jamais um domingo sem um encontro com Cristo Ressuscitado na Eucaristia; isso não é um fardo, mas a luz para toda a semana. Não começar nem terminar jamais um dia sem pelo menos um breve contato com Deus. E, no caminho da nossa vida, seguir os "sinais do caminho" que Deus nos comunicou no Decálogo lido com Cristo, que é simplesmente a definição da caridade em determinadas situações. Penso que esta é a verdadeira simplicidade e grandeza da vida de santidade: o encontro com o Ressuscitado no domingo; o contato com Deus no começo e no final do dia; seguir, nas decisões, os "sinais do caminho" que Deus nos comunicou, que são apenas formas da caridade. Daí que a caridade para com Deus e para com o próximo sejam o sinal distintivo de um verdadeiro discípulo de Cristo. (‘Lumen gentium', 42). Esta é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos.
Eis a razão pela qual Santo Agostinho, comentando o quarto capítulo da 1ª Carta de São João, pode afirmar algo surpreendente: "Dilige et fac quod vis", "ama e faze o que quiseres". E continua: "Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos" (7,8: PL 35). Quem se deixa conduzir pelo amor, quem vive a caridade plenamente é guiado por Deus, porque Deus é amor. Esta palavra significa algo grande: "Dilige et fac quod vis", "Ama e faze o que quiseres".
Talvez pudéssemos perguntar: Podemos nós, com as nossas limitações, nossas fraquezas, chegar tão alto? A Igreja, durante o ano litúrgico, convida-nos a recordar uma fila de santos que viveram plenamente a caridade, que souberam amar e seguir a Cristo em suas vidas diárias. Eles nos dizem que percorrer esse caminho é possível para todos.



Em todas as épocas da história da Igreja, em todas as latitudes da geografia no mundo, os santos pertencem a todas as idades e condições de vida, são rostos verdadeiros de todos os povos, línguas e nações. E eles são muito diferentes uns dos outros. Na verdade, devo dizer que, também segundo a minha fé pessoal, muitos santos, nem todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história. E eu gostaria de acrescentar que, para mim, não só os grandes santos que eu amo e conheço bem são "sinais no caminho", mas também os santos simples, ou seja, as pessoas boas que vejo na minha vida, que nunca serão canonizadas. São pessoas normais, por assim dizer, sem um heroísmo visível, mas, na sua bondade de cada dia, vejo a verdade da fé. Essa bondade, que amadureceram na fé da Igreja, é a apologia segura do cristianismo e o sinal de onde está a verdade.
Na comunhão com os santos canonizados e não canonizados, que a Igreja vive em Cristo em todos os seus membros, podemos desfrutar da sua presença e da sua companhia, e cultivamos a firme esperança de poder imitar o seu caminho e compartilhar, um dia, a mesma vida beata, a vida eterna.
Caros amigos, quão grande, bela e também simples é a vocação cristã vista a partir desta luz! Todos nós somos chamados à santidade: é a própria medida da vida cristã. Novamente, São Paulo expressa isso com grande intensidade, quando escreve: "No entanto, a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo. (...) A alguns ele concedeu serem apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas; a outros, pastores e mestres. Assim, ele capacitou os santos para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude" (Ef 4,7.11-13).
Eu gostaria de convidar todos vós a abrir-vos à ação do Espírito Santo, que transforma as nossas vidas, para ser, também nós, como peças do grande mosaico de santidade que Deus vai criando na história, de modo que o rosto de Cristo brilhe na plenitude do seu fulgor. Não tenhamos medo de dirigir o olhar para o alto, em direção às alturas de Deus; não tenhamos medo de que Deus nos peça muito, mas deixemo-nos guiar, em todas as atividades da vida diária, pela sua Palavra, ainda que nos sintamos pobres, inadequados, pecadores: será Ele quem nos transformará segundo o seu amor. Obrigado.

UM ROTEIRO PARA A CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA



P: = presidente da celebração



A: = assembléiaL: leitor



I. Entrada
Hino de abertura
Invocação de abertura:
P: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.A: Amém.
Falas de abertura
P: De todos os cristãos de Jerusalém aos fiéis de ............... (local da celebração) que estão em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, a graça e a paz. (1 Ts 1,1)
A: Damos graças a Deus.



Saudações
P: Compassivo e amoroso Deus, que nos criaste à tua semelhança
A: Por isso te louvamos e te agradecemos.
P: Nós nos reunimos em teu nome, para te pedir a restauração da unidade de todos aqueles que confessam teu Filho Jesus Cristo como Senhor e Salvador de todos.
A: Ó Deus, ouve-nos e tem compaixão de todos nós.
P: Ajuda-nos em nossa fraqueza e fortalece-nos com teu Santo Espírito.
A: Envia teu Espírito para que sejamos um.
P: Oremos ao Senhor.
A: Kyrie, kyrie eleison.
P: Generoso Deus, prometeste através dos profetas que Jerusalém será o lar de muitos povos, a mãe de muitas nações. Ouve nossas preces para que Jerusalém, a cidade de tua visitação, possa ser para nós todos um lugar onde habitaremos contigo e nos encontraremos, uns com os outros, em paz. Oramos ao Senhor.
A: Kyrie, kyrie eleison.
P: Misericordioso Deus, que o teu Espírito, doador de vida, mova cada coração humano, que as barreiras que nos dividem desabem, que as suspeitas desapareçam, que os ódios se acabem e que, com as divisões curadas, teu povo possa viver em justiça e paz. Oramos ao Senhor.
A: Kyrie, kyrie eleison.
P: Amoroso Deus, escuta nossas preces por tua cidade santa, Jerusalém. Põe fim ao seu sofrimento e devolve-lhe a saúde. Transforma-a de novo em tua casa, uma cidade de paz, uma luz para todos os povos. Promove a harmonia na cidade santa, entre todos os seus habitantes. Oramos ao Senhor.
A: Kyrie, kyrie eleison.
P: Abre agora nossos ouvidos e corações para ouvir a tua Palavra proclamada e ajuda-nos a vivê-la com mais fidelidade em tudo que fazemos e dizemos, para a glória do teu nome e a expansão do teu Reino, Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.
A: Amém.



II. Liturgia da Palavra
P: É sabedoria! Ouçamos com atenção!
Antigo Testamento:
Gênesis 33, 1-4 ou Isaías 58,6-10Salmo 96, 1-13
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.(ou outro hino baseado no salmo 96)
L: Cantai ao Senhor um canto novo,Cantai ao Senhor, terra inteira;Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.Proclamai sua salvação dia por dia;Anunciai sua glória entre as nações,Suas maravilhas entre todos os povos.
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
L: Pois o Senhor é grande e cumulado de louvores,Ele é terrível e superior a todos os deuses:Todas as divindades dos povos são vaidades.O Senhor fez os céus.Esplendor e brilho estão diante de sua face,Força e majestade no seu santuário.
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
L: Dai ao Senhor, famílias dos povos,Dai ao Senhor glória e força;Dai ao Senhor a glória do seu nome.Trazei vossa oferenda, entrai nos seus átrios;Prostrai-vos diante do Senhor, quando brilha sua santidade;Tremei diante dele, terra inteira.
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
L: Dizei entre as nações: o Senhor é rei.Sim, o mundo permanece firme, inabalável.Ele julga os povos com retidão.
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
L: Que os céus rejubilem, que a terra exulte,E que ribombem o mar e suas riquezas!Que o campo inteiro esteja em festa!
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
L: Que todas as árvores das florestas bradem de alegria,Diante do Senhor, pois ele vem,Pois ele vem para governar a terra.
A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
Segunda leitura: Atos 2, 42-47Canto: AleluiaMt 5,24: Deixa tua oferta ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão;depois, vem apresentar tua oferenda.
Canto: Aleluia, aleluia!
Evangelho: Mateus 5, 21-26
Homilia
Hino



III. Preces de penitência
P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor.Lembrando que os fiéis eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhãofraterna, confessamos nossas falhas na fidelidade e na comunhão fraterna. Oramos aoSenhor.
A: Senhor, tem piedade de nós.
P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor.Lembrando que o temor se apoderava deles e que muitos prodígios e sinais serealizavam pelos apóstolos, confessamos uma falta de visão que nos impede de percebera glória da tua ação no meio de nós. Oramos ao Senhor.
A: Senhor, tem piedade de nós.
P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor. Lembrando que todos os que abraçavam a fé punham os bens em comum e ajudavam os necessitados, confessamos que nos apegamos a nossas posses, com prejuízo para os pobres. Oramos ao Senhor.
A: Senhor, tem piedade de nós.
P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor.Lembrando que os fiéis passavam muito tempo em oração e na fração do pão em suas casas, com coração alegre e generoso, confessamos nossas falhas no amor e na generosidade. Oramos ao Senhor.
A: Senhor, tem piedade de nós.



Confiança no perdão de Deus
P: Isto é o que foi dito pelo profeta Joel: “nos últimos dias , diz o Senhor, derramarei meu Espírito sobre toda a carne... Então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo.”
Enquanto esperamos a vinda do Senhor, temos também a segurança de saber que em Cristo somos perdoados, renovados e curados.
A paz
P: Cristo é nossa paz. Ele nos reconciliou com Deus num só corpo na cruz; nos reunimosem seu nome e partilhamos sua paz.
Que a paz do Senhor esteja sempre convosco.
A: E contigo também.
O Credo (Apostólico, Niceno, ou outra forma adequada)
Hino



IV. Preces pela unidade cristã
P: Em Cristo o mundo é reconciliado com Deus, que nos confia a mensagem da ressurreição. Como embaixadores da ação reconciliadora de Cristo, fazemos nossos pedidos a Deus.
P: Quando oramos juntos a partir de nossas diversas tradições,
A: Santo Senhor, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.
P: Quando lemos a Bíblia juntos na diversidade de nossas linguagens e contextos,
A: Senhor Revelador, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.
P: Quando estabelecemos relações de amizade entre judeus, cristãos e muçulmanos, quando derrubamos o muro de indiferença e ódio,
A: Senhor Misericordioso, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.
P: Quando trabalhamos pela justiça e pela solidariedade, quando passamos do medo à confiança,
A: Senhor capaz de nos fortalecer, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.
P: Sempre que houver sofrimento por causa da guerra e da violência, da injustiça e da desigualdade, da doença e do preconceito, da pobreza e do desespero, aproximando-nos da cruz de Cristo e uns dos outros,
A: Senhor que foste ferido, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.
P: Com os cristãos da Terra Santa, nós também somos testemunhas do nascimento de Jesus Cristo em Belém, de seu ministério na Galiléia, de sua morte e ressurreição, e da descida do Espírito Santo em Jerusalém. Quando ansiamos por paz e justiça para todos, na segura e garantida esperança da vinda do teu Reino,
A: Senhor Triuno, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.
Oração do Senhor (cada um na sua língua)



V. Envio
A assembléia invoca a bênção de Deus sobre seus membros, que são enviados como embaixadores da Boa Nova da reconciliação. Um hino pode marcar a conclusão do culto.
P: Que o Pai, que é fiel a suas promessas e infalível em seu auxílio, nos sustente quando nos empenhamos na promoção da justiça e na busca do fim da divisão.
A: Amém.
P: Que o Filho, que santificou a Terra Santa com seu nascimento, seu ministério, sua mortee ressurreição, nos traga redenção, reconciliação e paz.
A: Amém.
P: Que o Espírito, que reuniu em unidade os primeiros fiéis em Jerusalém, nos una na fidelidade ao ensino, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações e nos inspire na pregação e na vivência do Evangelho.
A: Amém.
P: Que o Deus único, Pai, Filho e Espírito Santo, nos dê sua bênção e nela nos conservequando vamos proclamar sua Boa Nova ao mundo.
A: Damos graças a Deus.



Bênção
P: Que a bênção do Deus da paz e da justiça esteja convosco.Que a bênção do Filho, que derrama lágrimas pelo sofrimento do mundo, esteja convosco.E que as bênçãos do Espírito, que nos inspira para a reconciliação e a esperança, estejam conosco, daqui até a eternidade.Amém.Hino

ROTEIRO DE CELEBRAÇÃO PARA A SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS



À CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA



“Eles eram assíduos aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”.(Atos 2,42)



O tema deste ano, oferecido a nossa meditação pelas Igrejas em Jerusalém, convida os cristão, em todo lugar, a refletir sobre sua relação com a Igreja mãe de Jerusalém, para ter um olhar novo sobre as próprias situações em que estamos envolvidos. Foi a partir dessa comunidade de Jerusalém que todas as outras comunidades nasceram. Essa comunidade terrena de Jerusalém é uma prefiguração da Jerusalém celeste, onde todos os povos serão reunidos ao redor do trono do Cordeiro em eterno louvor e adoração a Deus.
Os cristãos de Jerusalém convidam a meditar, em nossos encontros ecumênicos de 2011, sobre a importância de nosso envolvimento com os ensinamentos dos apóstolos e a comunhão fraterna, com a fração do pão e as orações; são elementos que nos unem, embora sejamos muitos, no único corpo de Cristo. As Igrejas em Jerusalém nos pedem que lembremos de sua precária situação em nossas orações e que oremos pela justiça que trará paz à Terra Santa. A liturgia ecumênica aqui apresentada pretende destacar a dimensão fundamental de todo testemunho cristão, que é o amor a serviço do Evangelho da reconciliação com Deus e com toda a humanidade e a criação.

ROTEIRO DE CELEBRAÇÃO
O roteiro está dividido em: 1) reunião da assembléia; 2) celebração da Palavra de Deus; 3) oração de arrependimento e paz; 4) preces pela unidade cristã; 5) envio



I. Reunião da assembléia
De acordo com costumes locais, símbolos apropriados podem ser trazidos à frente e colocados diante da assembléia enquanto se canta o hino de abertura. Depois da saudação inicial, feita pela pessoa que preside, algumas palavras de boas vindas podem ser dirigidas às comunidades e lideranças que se reuniram para celebrar.
A assembléia é então convidada a se preparar para celebrar e louvar a Deus através de frases e oração de abertura em forma de diálogo com resposta coletiva, na forma tradicional usada no oriente.
II. Celebração da Palavra de Deus
A leitura dos Atos dos Apóstolos está no centro e dela derivam as outras partes do culto. Ao selecionar o texto de Atos, o comitê planejador de Jerusalém quis acentuar as idéias de fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e a partilha de todas as coisas em comum, como chave da unidade cristã. A homilia pode desenvolver esses temas, bem como enfatizar a necessidade de que os cristãos do mundo inteiro apoiem em oração seus irmãos e irmãs que testemunham o Evangelho do amor na Cidade Santa.
Depois da homilia pode haver um tempo de meditação, silencioso ou acompanhado por música. Uma oferta , ou coleta, para ajudar os cristãos e suas instituições (escolas, hospitais etc) pode ser feita e enviada a uma adequada organização cristã.
III. Oração de arrependimento e paz
Uma ação simbólica pode ser realizada durante esta oração.
Opção 1: várias velas que foram carregadas em procissão na abertura da liturgia e colocadas à vista da assembléia podem ser apagadas uma a uma após cada pedido de perdão, deixando uma vela de Cristo, ou círio pascal, acesa à medida que as luzes da Igreja vão se apagando. Ao final da prece da paz pequenas velas são distribuídas aos presentes. A Confissão de fé, que pode ser feita a partir do Credo Niceno ou Apostólico ou de alguma outra tradicional expressão de fé, vem depois da saudação de paz feita em semi escuridão. As velas que se apagaram são então acesas ( a partir da vela de Cristo ou círio pascal), uma a uma, depois de cada prece pela unidade cristã. Os participantes são convidados a levar para casa as velas que receberam e a acendê-las a cada noite durante a Semana de Oração e, se for apropriado, a colocá-las em suas janelas como continuação dessa vigília de oração e como uma lembrança dos cristãos da Terra Santa e de outros lugares que enfrentam sofrimento por causa de sua fé.
Opção 2: Um grupo (por exemplo: crianças ou jovens) prepara com antecedência uma figura (uma imagem de Cristo, uma cruz, o retrato de uma igreja ou qualquer outro símbolo apropriado para a unidade) e a corta em grandes pedaços. Durante as preces pela unidade cristã e suas respostas, representantes das várias comunidades presentes vão colocando as peças, armando a figura diante da assembléia. Na conclusão das preces o mosaico completo representará a unidade de todos no único corpo de Cristo, com a diversidade vista como dom precioso que Deus dá às Igrejas.
Opção 3: Algum incenso pode ser oferecido por membros de cada comunidade depois de cada oração de arrependimento e petição de perdão, representando a misericórdia de Deus, que cobre nossos pecados, e a graça de Deus, que nos cura. Um recipiente contendo carvão aceso pode ser colocado no centro da assembléia ou próximo ao lugar onde são feitas as leituras. Depois de cada confissão de pecado, o leitor ou outro membro da assembléia colocará algum incenso sobre o carvão. Esse gesto representa a disposição da assembléia de reconhecer o pecado e acolher a resposta da misericórdia de Deus.
IV. Preces pela unidade cristã
Estes pedidos são inspirados pela situação das Igrejas em Jerusalém. No entanto, cada situação local pode gerar seus próprios pedidos, que demonstram como em cada lugar se busca superar a divisão e encontrar meios de visível comunhão plena. A prece é conduzida pelo presidente da celebração e pelo leitor, com a comunidade respondendo a cada vez. A prece se conclui com a recitação da Oração do Senhor. Cada um pode rezá-la em sua própria língua ou em aramaico, que é a língua usada por alguns cristãos hoje na Cidade Santa (ver apêndice).
V. Envio
A assembléia invoca a bênção de Deus sobre seus membros, que são enviados como embaixadores da Boa Nova da reconciliação. Um hino pode concluir o culto.

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2011



Quatro elementos de unidade



As orações da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2011 foram preparadas por cristãos em Jerusalém, que escolheram como tema At 2,42: “Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. Esse tema é um chamado à volta às origens da primeira Igreja em Jerusalém; é um chamado à inspiração e renovação, a uma volta ao essencial da fé; é um chamado a relembrar o tempo em que a Igreja ainda era una. Dentro desse tema, são apresentados quatro elementos que eram marcos da primeira comunidade cristã e que são essenciais à vida da comunidade cristã, onde quer que ela exista.
Primeiramente, temos a palavra que era comunicada pelos apóstolos. Em segundo lugar, a comunhão fraterna (koinonia) era um sinal importante entre os primeiros fiéis sempre que se reuniam. Uma terceira marca da Igreja primitiva era a celebração da Eucaristia (a fração do pão), lembrando a Nova Aliança que Jesus realizou através de seu sofrimento, morte e ressurreição. O quarto aspecto é a atitude constante de oração. Esses quatro elementos são os pilares da vida da Igreja e de sua unidade.
A comunidade cristã na Terra Santa deseja dar proeminência a esses elementos essenciais básicos ao elevar a Deus suas preces pela unidade e vitalidade da Igreja no mundo. Os cristãos de Jerusalém convidam suas irmãs e irmãos do mundo inteiro a se unir a eles em oração enquanto trabalham pela justiça, paz e prosperidade para todos os povos da terra.






Os temas dos oito dias



Há uma caminhada de fé que pode ser detectada nos temas dos oito dias. Desde seus inícios na “sala superior”, a primitiva comunidade cristã experimenta o derramamento do Espírito Santo, que lhe permite crescer na fé e na unidade, na oração e na ação, de modo a tornar-se verdadeiramente uma comunidade da Ressurreição, unida a Cristo em sua vitória sobre tudo que nos divide uns dos outros e nos separa dele. Então a própria Igreja de Jerusalém se torna um farol de esperança, uma degustação antecipada da Jerusalém celeste, chamada a reconciliar não somente nossas Igrejas, mas todos os povos.
Essa caminhada é guiada pelo Espírito Santo, que conduz os primeiros cristãos ao conhecimento da verdade sobre Jesus Cristo e que enche a Igreja primitiva de sinais e prodígios, para a admiração de muitos. À medida que prosseguem na caminhada, os cristãos de Jerusalém se reúnem com devoção para ouvir a Palavra de Deus pregada no ensinamento dos apóstolos, e se juntam em comunhão para celebrar sua fé no sacramento e na oração. Cheia do poder e da esperança que vêm da Ressurreição, a comunidade celebra sua vitória certa sobre o pecado e a morte, e assim tem a coragem e a visão para ser ela própria um instrumento de reconciliação, inspirando e desafiando todos os povos a superar as divisões e injustiças que os oprimem.
O dia 1 apresenta as bases da Igreja mãe de Jerusalém, deixando clara sua continuidade com a Igreja de hoje pelo mundo inteiro. Ele nos relembra a coragem da Igreja primitiva, que bravamente dava testemunho da verdade, assim como hoje necessitamos trabalhar pela justiça em Jerusalém e no resto do mundo.
O dia 2 recorda que a primeira comunidade unida em Pentecostes tinha em seu interior pessoas de origens diversas, assim como a Igreja em Jerusalém hoje representa uma rica diversidade de tradições cristãs. Nosso desafio hoje é conseguir uma unidade visível maior, capaz de acolher nossas diferenças e tradições.
O dia 3 contempla o primeiro elemento essencial de unidade: a Palavra de Deus apresentada através do ensinamento dos apóstolos. A Igreja de Jerusalém nos recorda que, sejam quais forem as nossas divisões, esses ensinamentos nos impelem a nos envolver em amor mútuo e em fidelidade ao corpo único que é a Igreja.
O dia 4 enfatiza a partilha como segunda expressão de unidade. Assim como os primeiros cristãos punham tudo em comum, a Igreja de Jerusalém chama todos os irmãos e irmãs da Igreja a partilhar bens e tarefas, com coração alegre e generoso, para que ninguém passe necessidade.
O dia 5 destaca o terceiro elemento da unidade: a fração do pão, que nos une em esperança. Nossa unidade vai além do momento da Santa Comunhão: ela precisa incluir a atitude correta a respeito da vida ética, da pessoa humana e de toda a comunidade. A Igreja de Jerusalém conclama os cristãos a se unirem na “fração do pão” hoje, porque uma Igreja dividida não pode falar com autoridade sobre temas de justiça e paz.
O dia 6 apresenta o quarto elemento de unidade: com a Igreja em Jerusalém ganhamos força pelo tempo que nos dedicamos à oração. Especificamente, a Oração do Senhor chama todos nós, em Jerusalém e no mundo inteiro, os fracos e os poderosos, a um trabalho conjunto pela justiça, paz e unidade, para que venha a nós o Reino de Deus.
O dia 7 nos leva além dos quatro elementos da unidade, com a Igreja em Jerusalém alegremente proclamando a Ressurreição, mesmo quando ela carrega a dor da cruz. A Ressurreição de Jesus é hoje para os cristãos em Jerusalém a força que lhes permite a permanência constante no seu testemunho, no trabalho para a liberdade e a paz na Cidade da Paz.
O dia 8 conclui a caminhada com um chamado das Igrejas de Jerusalém para um trabalho mais amplo de reconciliação. Mesmo se os cristãos conseguirem unidade entre eles, sua tarefa não estará completa, porque eles precisam se reconciliar com outros. No contexto de Jerusalém, isso significa relacionamento entre palestinos e israelitas; em outras comunidades, os cristãos são desafiados a buscar justiça e reconciliação em seu próprio contexto.
O tema de cada dia foi, portanto, escolhido não apenas para nos recordar a história da Igreja dos primeiros tempos, mas também para nos trazer à mente as experiências de cristãos em Jerusalém hoje, e para convidar todos nós a uma reflexão sobre como podemos trazer essa experiência para a vida de nossas comunidades cristãs em cada local.
Durante esta caminhada de oito dias, os cristãos de Jerusalém nos convidam a proclamar e dar testemunho de que a Unidade – em seu sentido pleno de fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações – nos dará a possibilidade de, juntos, superarmos o mal, não só em Jerusalém, mas no mundo inteiro.

VIDA ECUMÊNICA EM JERUSALÉM



De Jerusalém Jesus enviou os apóstolos para serem suas testemunhas “até as extremidades da terra” (At 1,8). Em sua missão, eles encontraram muitas e ricas línguas e civilizações e começaram a proclamar o Evangelho e a celebrar a Eucaristia nessas muitas línguas. Como conseqüência, a vida cristã e a liturgia adquiriram muitas faces e expressões que se enriquecem e se completam mutuamente. Desde os primeiros tempos, todas essas tradições e Igrejas cristãs queriam estar presentes juntas na Igreja local de Jerusalém, o berço da Igreja. Elas sentiam a necessidade de ter uma comunidade orante e servidora na terra onde a história da salvação se desenvolveu, ao redor dos lugares onde Jesus viveu, exerceu seu ministério e sofreu sua paixão, entrando assim no mistério pascal da morte e ressurreição.
Desse modo a Igreja de Jerusalém se tornou uma imagem viva da diversidade e riqueza das muitas tradições cristãs do Oriente e do Ocidente. Cada visitante ou peregrino em Jerusalém é, em primeiro lugar, convidado a descobrir essas variadas e ricas tradições.
Infelizmente, no curso da história e por várias razões, essa bela diversidade também se tornou uma fonte de divisões. Essas divisões são ainda mais dolorosas em Jerusalém, já que foi nesse mesmo lugar que Jesus orou “para que eles sejam um” (João 17,21), foi ali que ele morreu “para reunir na unidade os filhos de Deus que estão dispersos” (João 11, 52) e ali aconteceu o primeiro Pentecostes. No entanto, ao mesmo tempo, é preciso dizer que nem uma só dessas divisões teve sua origem em Jerusalém. Elas foram todas trazidas a Jerusalém por Igrejas já divididas. Como conseqüência, quase todas as Igrejas do mundo inteiro têm sua parte na responsabilidade pelas divisões na Igreja de Jerusalém e portanto são também chamadas a trabalhar pela unidade junto com as Igrejas locais.
Atualmente, há em Jerusalém treze Igrejas com um ministério episcopal: a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja (Católica) Latina, a Igreja Apostólica Armênia, a Igreja Síria Ordodoxa, a Igreja Ortodoxa Copta. A Igreja Ortodoxa Etíope, a Igreja Católica Grega (Melquita), a Igreja (Católica) Maronita, a Igreja Católica Síria, a Igreja Católica Armênia, a Igreja (Católica) Caldéia, a Igreja Episcopal Evangélica e a Igreja Evangélica Luterana.
Além disso, um número considerável de outras Igrejas ou comunidades estão presentes em Jerusalém e na Terra Santa: presbiterianos, reformados, batistas, evangélicos, pentecostais etc.
Ao todo, os cristãos na Palestina e Israel são cerca de 150.000 a 200 000, constituindo entre 1 a 2 % da população total. A grande maioria desses cristãos são palestinos de idioma árabe, mas em alguma Igrejas há também grupos de fiéis que falam hebraico e pretendem ser uma presença cristã e um testemunho da sociedade israelita. Além disso, há também as chamadas Assembléias Messiânicas, que podem representar cerca de 4 a 5 mil crentes, mas não costumam ser incluídas na contagem da presença cristã.
Para o desenvolvimento recente das relações ecumênicas em Jerusalém, a peregrinação do Papa Paulo VI à Terra Santa, em janeiro de 1964, continua sendo um marco. Seus encontros, em Jerusalém, com os Patriarcas Athenagoras de Constantinopla e Benedictos de Jerusalém sinalizam o começo de um novo clima nas relações inter eclesiais. A partir desse ponto, as coisas começaram a ir por um novo caminho.
O próximo passo importante se deu durante a primeira “intifada” palestina no fim dos anos 80. No meio de um clima de insegurança, violência, sofrimento e morte, as lideranças das Igrejas começaram a se encontrar para refletir juntas sobre o que poderiam e deveriam dizer e fazer em conjunto. Decidiram publicar mensagens e declarações em comum e tomar algumas iniciativas conjuntas em prol de uma paz justa e duradoura.
Desde esse tempo, a cada ano as lideranças das Igrejas em Jerusalém publicam uma mensagem comum na Páscoa e no Natal, bem como declarações e mensagens em algumas ocasiões especiais. Duas declarações merecem especial destaque. Em novembro de 1994, as lideranças das treze Igrejas assinaram um memorando comum sobre o significado de Jerusalém para os cristãos e sobre os direitos que daí resultam para as comunidades cristãs.
Daí em diante, se encontraram regularmente, quase todos os meses. Publicaram uma segunda declaração atualizada sobre o mesmo assunto em setembro de 2006.
Até agora, a abertura ecumênica do terceiro milênio na Praça da Manjedoura em Belém, em dezembro de 1999, permanece como a expressão mais significativa dessa nova peregrinação ecumênica em comum. Foi então que as lideranças e fiéis das treze Igrejas, junto com peregrinos vindos do mundo inteiro, passaram a tarde juntos, cantando, lendo a Palavra de Deus e orando em conjunto.
Em 2006, a criação do Centro Inter Eclesial de Jerusalém, em colaboração com as Igrejas locais, com o Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho de Igrejas do Oriente Médio, é outra expressão da crescente colaboração entre as Igrejas locais e dos fortes laços entre elas e as Igrejas do mundo inteiro. É ao mesmo tempo um instrumento a serviço desse crescimento ecumênico.
O Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e Israel foi iniciado em 2002, em coordenação com as Igrejas locais e o CMI. Envolve voluntários que vêm de Igrejas do mundo inteiro com o objetivo de colaborar com israelitas e palestinos para aliviar as conseqüências do conflito, e para acompanhá-los nos lugares onde há confrontação. Essa iniciativa configura outro poderoso instrumento para o fortalecimento dos laços de solidariedade, tanto na Terra Santa como com as Igrejas de onde vêm os voluntários.
Muitos outros grupos ecumênicos informais existem em Jerusalém. Um deles, o Círculo Ecumênico de Amigos, que se encontra uma vez por mês, tem coordenado a celebração anual da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em Jerusalém por cerca de 40 anos. A cada ano, isso constitui um evento marcante na vida das Igrejas.
O diálogo inter religioso em Jerusalém, cidade considerada sagrada por judeus, cristãos e muçulmanos, tem também amplas repercussões ecumênicas, graças aos membros de diferentes Igrejas que trabalham nisso muito unidos. Juntos, nesse diálogo, eles vivenciam a experiência da necessidade de superar desentendimentos e controvérsias do passado para encontrar uma nova linguagem comum que possibilite dar testemunho de uma única mensagem evangélica numa atitude de respeito mútuo.
Para os fiéis cristãos da base, na Palestina e Israel, ecumenismo faz parte da vida diária. Sua experiência constante mostra que a solidariedade e a colaboração têm importância vital na sua presença como pequena minoria no meio da maioria de crentes de outras religiões monoteístas. Escolas, instituições e movimentos cristãos espontaneamente trabalham juntos, cruzando as fronteiras entre as Igrejas, oferecendo um serviço comum e dando testemunho em conjunto. Casamentos entre pessoas de Igrejas diferentes têm se tornado uma realidade geralmente aceita e podem ser encontrados em quase todas as famílias.
Como conseqüência, há partilha mútua de alegrias e tristezas, no meio de uma situação de conflito e instabilidade, chegando até aos irmãos e irmãs muçulmanos, com quem partilham a mesma língua, a mesma história, a mesma cultura e com os quais são chamados a construir juntos um futuro melhor. Juntos estão dispostos a colaborar com fiéis muçulmanos e judeus na preparação de caminhos para o diálogo e para uma justa e duradoura paz num conflito em que a religião tem sido muito frequentemente usada até de modo abusivo. Em vez de ser parte do conflito, a verdadeira religião é chamada a ser parte da solução.
É também significativo perceber que a Igreja em Jerusalém continua a viver num clima político que é, de muitas maneiras, semelhante à vida da primeira comunidade cristã.
Cristãos palestinos têm se tornado uma pequena minoria que enfrenta sérios desafios que ameaçam seu futuro de muitas maneiras, enquanto anseiam por liberdade, dignidade humana, justiça, paz e segurança.
No meio de tudo isso, os cristãos das Igrejas de Jerusalém se dirigem a seus irmãos e irmãs do mundo inteiro nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos para orar com eles e por eles, para que atinjam suas aspirações por liberdade e dignidade e pelo fim de todas as espécies de opressão humana. A Igreja ergue sua voz em oração a Deus em antecipação e esperança, por si mesma e pelo mundo para que todos possamos ser um em nossa fé, nosso testemunho e nosso amor.


extraído do texto base da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2011

A Igreja em Jerusalém, ontem, hoje, amanhã



Há dois mil anos, os primeiros discípulos de Cristo reunidos em Jerusalém experimentaram o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes e foram reunidos na unidade como corpo de Cristo. Nesse evento, os cristãos de todos os tempos e lugares vêem sua origem como comunidade de fiéis, chamados a proclamar juntos Jesus Cristo, como Senhor e Salvador. Embora aquela iniciante Igreja de Jerusalém experimentasse dificuldades, interna e externamente, seus membros perseveraram na fidelidade e na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Não é difícil perceber como a situação dos primeiros cristãos na cidade santa reflete a da Igreja em Jerusalém hoje. A comunidade atual experimenta muitas das alegrias e tristezas da Igreja dos primeiros tempos: sua injustiça e desigualdade, e suas divisões, mas também sua fiel perseverança e o reconhecimento de uma unidade mais ampla entre os cristãos.
As Igrejas em Jerusalém hoje nos oferecem uma visão do que significa buscar a unidade, mesmo em meio a grandes problemas. Elas nos mostram que o chamado à unidade pode ser mais do que meras palavras e que, de fato, ele pode nos orientar para um futuro no qual antecipamos e ajudamos a construir a Jerusalém celeste.
É preciso realismo para transformar tal visão em modo concreto de viver. A responsabilidade por nossas divisões é nossa; elas são o resultado de nossas próprias ações. Precisamos mudar nossa oração, pedindo a Deus que nos transforme para que possamos trabalhar ativamente pela unidade. Estamos bastante dispostos a rezar pela unidade, mas isso pode se tornar um substitutivo para a ação que vai fazer com que ela aconteça. Será possível que estejamos sendo, nós mesmos, um bloqueio ao Espírito Santo porque somos obstáculos à unidade, porque nosso orgulho vaidoso é uma barreira à unidade?
Este ano, o chamado à unidade, para as Igrejas do mundo inteiro, vem de Jerusalém, a Igreja mãe. Conscientes de suas próprias divisões e de sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva em Jerusalém, quando os cristãos se uniam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. Esse é o desafio que está diante de nós. Os cristãos de Jerusalém convocam seus irmãos e irmãs para fazer desta Semana de Oração uma ocasião de renovar o compromisso de trabalho por um genuíno ecumenismo, enraizado na experiência da Igreja dos primórdios.






extraído do texto base da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2011

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS - A busca da unidade ao longo de todo o ano




No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico. No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente preferem outras datas para celebrar a Semana de Oração como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. Levando em conta essa flexibilidade no que diz respeito à data, estimulamos vocês a compreender o material aqui apresentado como um convite para achar oportunidades ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tenham atingido e para orar juntos por aquela unidade plena que é desejo de Cristo.Este ano o texto Bíblico que servirá de inspiração para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é Atos 2, 42-47: “Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. O temor de Deus se apoderava de todo mundo: muitos prodígios e sinais se realizavam pelos apóstolos. Todos os que abraçavam a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada um. De comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade: partiam o pão em casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram favoravelmente aceitos por todo o povo. E o Senhor ajuntava cada dia à comunidade os que encontravam a salvação”.


extraído do texto base da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2011

Montado num jumentinho, o messias pobre e desarmado



Extraído do livro Travessia: quero misericórdia e não sacrifício, de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino



Introdução



Jesus termina a viagem e chega em Jesuralém, onde se darão os acontecimentos mais importantes da sua vida. Ao entrar na cidade, ele realiza três gestos simbólicos que revelam sua identidade messiânica:



1 . Entra montado num jumentinho que, conforme as profecias, era a característica do rei justo, pobre e desarmado (Mt 21,1-11).
2. Entra no Templo, expulsa os vendedores e denuncia a hipocrisia do comércio dos animais para os sacrifícios (Mt 21,12-17).
3. Amaldiçoa a figueira para expressar sua crítica contra o povo de Israel, por ele não ter produzido frutos de justiça (Mt 21,18-22). Quando Jesus entra em Jerusalém, a cidade fica agitada e se pergunta: "Quem é este?" (Mt 21,10). A multidão respondia: "E o profeta Jesus de Nazaré, da Galiléia" (Mt 21 , 11).



A palavra usada por Mateus para descrever a reação da cidade era usada também para descrever os tremores de terra. Esta reação da cidade e da multidão nos dá urna chave para entender o que estava acontecendo nas comunidades para as quais Mateus escrevia o seu evangelho. Os fariseus e os chefes da sinagoga se agitavam, reagiam contra os seguidores de Jesus e se recusavam a aceitá-lo como Messias. No entanto, a multidão, as pessoas simples o identificavam como o profeta anunciado por Moisés (Dt 18,15.18), em total continuidade com a história e as esperanças de Israel.






Comentando o texto



1 . Mateus 21,1-5: O messias pobre e desarmado.
A cena da entrada de Jesus em Jerusalém revela a sua identidade como Messias pobre e desarmado. Jesus mesmo toma as providências para entrar na cidade montado num jumentinhho, o transporte dos pobres daquela época. Ao narrar este episódio, Mateus se inspira na tradição profética. Para dar à cena o sentido do cumprimento da profecia, ele cita literalmente o texto de Zacarias 9,9: "Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga!"
2. Mateus 21,6-7: Acolher Jesus tal como ele se revela e se apresenta
Os discípulos são encarregados de preparar o animal para a entrada de Jesus na cidade. Eles vão e fazem exatamente como Jesus mandou. Por trás desta narração tem um recado para as comunidades: verdadeiro discípulo é aquele que aceita Jesus do jeito que ele é e quer ser, e não do jeito que elas gostariam que ele fosse. Se Jesus se fez Messias pobre e desarmado, não podem fazer dele um messias glorioso e poderoso.
3. Mateus 21,8-9: Eles queriam um grande rei
A multidão reage entusiasmada, estendendo seus mantos no chão para Jesus passar, e grita: "Hosana ao Filho de Davi !" Eles reconhecem em Jesus o Messias, o descendente do rei Davi. "Eles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador!" Jesus não apreciava muito este título de "Filho de Davi" e chegou a questio¬ná-lo (Mt 22,41-46). Pelo seu jeito de entrar na cidade sentado num jumentinho, ele estava dizendo que a sua maneira de ser rei era diferente.
4. Mateus 21,10-11: Quem é este?
A entrada de Jesus em Jerusalém questiona o povo da cidade. Ela fica abalada, agitada e se pergunta: "Afinal, quem é este que a multidão acolhe como rei messiâ¬nico? Por que ele vem como um pobre?"






Alargando o texto



1. As várias imagens de Messias
A causa do desencontro entre Jesus e o povo tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (Mt 27,11). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (Mc 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (Jo 4,25). Outros, um Messias Juiz (Lc 3,5-9; Mc 1,8;). Outros, um Messias Profeta (Mt 21,11). Ao que parece, ninguém esperava o Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1 ; 49,3; 52, 13). Eles não se lembraram de valorizar a esperança messiâ¬nica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, livrinho na mão, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita mistura de idéias!
2. Os ramos na festa da entrada de Jesus
Hoje celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém com ramos. A origem desta aclamação vem da Festa das Tendas, que era realizada no outono, depois da colheita (Dt 16, 13; Lv 23,34). Ela lembrava o tempo em que o povo israelita fazia sua caminhada pelo deserto (Lv 23,43), morando em tendas. Por isso, durante uma semana, eles recolhiam ramagens e formavam tendas por toda parte (Ne 8, 14-17). O povo agitava os ramos e dizia: "Bendito o que vem em nome do Senhor" . E os sacerdotes respondiam: "Da casa de Javé nós vos abençoamos" (Sl 118,25-27). A Festa das Tendas era um momento de alegria e de louvor, que mantinha a identidade do povo e lhe dava resistência.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Líder muçulmano se alegra com beatificação de João Paulo II


Ali al-Samman, do Conselho Supremo para Assuntos Islâmicos do Egito

Há muçulmanos que exultam com a beatificação de João Paulo II, como é o caso de Ali al-Samman, presidente do Comitê para o Diálogo Inter-Religioso do Conselho Supremo para Assuntos Islâmicos do Egito. O representante de Al-Azhar, a universidade considerada pela maioria dos muçulmanos sunitas como a escola de maior prestígio, desempenhou um papel decisivo na famosa convenção que deu vida, em 1998, ao Comitê Conjunto que reúne a Universidade de Al-Azhar, no Cairo, e o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso.

ZENIT: Nos últimos dias, tem havido debates com os não-crentes no "Átrio dos Gentios". O senhor, que é um homem de diálogo, o que acha deste convite feito pelo Vaticano?

Ali al-Samman: O elemento essencial é tratar com o ser humano partindo da base de que ele é um ser humano. O homem vem antes da religião, e o diálogo do Vaticano com os não-crentes se remonta ao concílio ecumênico Vaticano II. Sem dúvida, congratulo-me com este tipo de diálogo, do qual participei na época do Beato Papa João Paulo II. Eu acho que é uma ótima maneira de construir uma humanidade com sentimentos e responsabilidades comuns.

ZENIT: Algumas pessoas na mídia árabe consideraram que as palavras do cardeal Kurt Koch sobre a promoção do diálogo entre judeus e cristãos não correspondem aos interesses do diálogo entre muçulmanos e cristãos... O senhor concorda?

Ali al-Samman: Claro que não. Não me sinto incomodado com a convergência judaico-cristã, pois é parte do sistema que eu defendo, já que somos todos filhos de Abraão, e ninguém pode agora separar os filhos de Abraão. Sabemos, também, que esse diálogo existe há muito tempo, não é novo. Eu gostaria de destacar o crescimento dos movimentos de extrema direita na Europa, que mostram hostilidade contra os judeus, e dos quais discordo. Eu acredito que a liberdade de fé e de religião são questões fundamentais em nossas vidas diárias.

ZENIT: Dom Louis Sako, arcebispo caldeu de Mossul (Iraque), disse que os Estados islâmicos não viverão em uma democracia real se os cristãos não se tornarem verdadeiros cidadãos. O senhor concorda com ele?

Ali al-Samman: A democracia está totalmente ligada à cidadania. Isso é verdade e é o centro das discussões da cidadania no Egito, razão pela qual estão em curso as sessões de diálogo nacional, neste momento. Estamos trabalhando duro para que a cidadania seja a base e é isso que as pessoas racionais no mundo islâmico estão pedindo.

ZENIT: Mas a realidade é contrária a isso?

Ali al-Samman: Uma parte da realidade poderia ser diferente. Algumas pessoas exageram, mas, no lado oposto, há pessoas que se opõem a isso e rejeitam suas alegações. Pessoalmente, eu participei em muitos programas de televisão e escrevi em jornais denunciando essas atitudes, que separam e nunca unem. Como eu, muitas pessoas estão lutando pela supremacia do conceito de cidadania.

ZENIT: É possível que o Egito se torne outro Iraque, e o futuro dos coptas seja semelhante à situação dos cristãos iraquianos?

Ali al-Samman: A história do Egito e a linguagem de seu sábio povo afirmam que o Egito não se tornará outro Iraque. É uma aposta. O Iraque usa um idioma diferente do egípcio. Apesar das declarações recentes dos extremistas, eu não acho que o Egito esteja se tornando um outro Iraque. Além disso, devemos notar que há uma verdadeira autoridade governante no Egito, representada pelo Conselho Supremo e as forças armadas. Estes últimos não deixam de denunciar e alertar contra qualquer violação da segurança ou da legitimidade que afeta os cidadãos, especialmente os coptas. Isso ficou claro nas declarações do Conselho sobre os boatos que procuravam aterrorizar as mulheres e meninas coptas no Egito, nos últimos dias. Foi dito claramente que as violações da legitimidade e da lei não seriam admitidas.

ZENIT: Sendo o senhor a pessoa que deu uma grande contribuição na organização da visita de João Paulo II ao Egito e com quem se encontrou várias vezes depois... Como se sente diante da sua beatificação, em 1º de maio?

Ali al-Samman: Como crente, minha reação seria o desejo de orar por ele. Então direi que lhe é dado o que lhe corresponde pelo seu trabalho, pelo trabalho que eu vi, do qual participei e fui testemunha. Isso prova o quanto ele abriu seu coração, sua mente e seus braços a todo mundo. Isso é o que eu experimentei pessoalmente em Assis, quando fui fazer um discurso em nome do imame Muhammad Sayyid Tantawy. Sem dúvida, eu serei o mais feliz da criação de Deus nesse dia.

(Emil Ameen)


Papa João Paulo II, “um polonês que foi universal”


Fala o postulador da causa do Papa polonês

A beatificação de João Paulo II será um grande evento para a Polônia, mas também para o resto do mundo, pois este Pontífice sabia conjugar um grande amor por sua pátria pequena com uma abertura universal. Isto foi afirmado por Monsenhor Slawomir Oder, postulador da causa de beatificação de João Paulo II. Mas, com a celebração de 1º de maio, não termina o trabalho do Pe. Oder, pois, como explicou a ZENIT, ele tem o mandato do cardeal vigário, Agostino Vallini, também para preparar a canonização. ZENIT: O senhor se sente sem trabalho agora, ou ainda continuará a causa de canonização, com um milagre já reconhecido?

Mons. Oder: Como comentei, este trabalho de postulação se une outras coisas, então não acho que fico sem trabalho. Em todo caso, sim, agora está em andamento toda a preparação do evento da beatificação que, é claro, envolve também a figura do postulador em alguns aspectos. Além disso, a indicação que recebi do cardeal vigário é o mandato para o processo de beatificação e canonização. E isso significa que a etapa da beatificação foi atingida. Este primeiro momento terminou, mas o processo continua até sua conclusão, com a canonização.

ZENIT: No que diz respeito à beatificação, de que forma um cristão pode se preparar para este acontecimento?

Mons. Oder: Com certeza, este tempo do processo de beatificação, para mim pessoalmente foi um tempo de exercícios espirituais, que me permitiu enfrentar tanto as razões da minha fé como o entusiasmo da minha resposta ao chamado do Senhor a ser sacerdote, porque foi um encontro maravilhoso com o exemplo de um sacerdote realizado, pleno, feliz, que deu sua vida por Cristo e pela Igreja. E eu acho que este tempo que temos à disposição agora, que felizmente coincide com a Quaresma, é um tempo para trilhar o nosso caminho espiritual, o nosso caminho de conversão, o nosso caminho de aprofundamento da fé e do amor por Cristo, para viver verdadeiramente uma experiência particular com a Páscoa do Senhor, que, de alguma forma, continuará neste acontecimento da beatificação, porque, além disso, afinal, a Páscoa do Senhor é a referência para a vida de todos os cristãos e deve realizar-se na vida de cada um de nós. É a conclusão da vida cristã: esta Páscoa feliz é precisamente alcançar a santidade, chegar ao céu. Podemos dizer, portanto, que neste ano, realmente, temos a sorte de viver a Quaresma olhando para a Páscoa do Senhor. É um testemunho esplêndido desta Páscoa.

ZENIT: Foi falado dessa herança espiritual do Papa, que é a misericórdia. Mas se define pouco o que é a misericórdia ou como ele a concebia?

Mons. Oder: São tantas as intervenções em que ele falava justamente sobre este aspecto da misericórdia, da magnanimidade, da capacidade de imitar a grandeza do amor de Deus que se inclina diante do homem fraco e frágil... Ele mesmo dizia que o perdão - isso foi escrito na carta que ele pretendia publicar, a carta aberta a Ali Ağca após o atentado, e que depois não foi publicada - é o fundamento de todo o verdadeiro progresso da sociedade humana. A misericórdia significa essencialmente a compreensão pela fraqueza, a capacidade de perdão. Significa também o compromisso de não tomar em vão a graça que Deus dá, mas, com própria vida, produzir frutos dignos de alguém que tem sido abençoado e revestido da misericórdia de Deus.

ZENIT: Ele via no perdão, portanto, também um instrumento político ou o motor da história?

Mons. Oder: Com certeza sim, porque ele tinha uma visão cristã da história, teológica, pela qual nem tudo é suscetível apenas de um mero cálculo econômico ou político; uma visão segundo a qual a compaixão, compreensão, arrependimento, perdão, acolhimento, solidariedade, amor se convertem nos elementos fundamentais para fazer uma verdadeira política de Deus.

ZENIT: A Polônia se sentiu órfã quando ele morreu. Agora que ele volta como beato, haverá algum impacto na Igreja polonesa?

Mons. Oder: Certamente, no que diz respeito à Polônia, não há nada a dizer, foi um marco na nossa história e é um momento forte agora, muito importante, mas João Paulo II não é um fenômeno polonês. E o extraordinário, que me impressionou muito, é que um elemento de fascínio de João Paulo II foi que não se envergonhava de falar da sua pátria, da sua própria história, de usar sua própria língua, de identificar-se também com a religiosidade popular da Polônia, de falar dos seus conterrâneos. No entanto, este homem que sentia tão fortemente a pertença à sua própria nação, também soube ser um dom para os outros, e João Paulo II é um dom para a humanidade. E não foi apenas a Polônia que chorou (primeiro se alegrou e depois chorou)... Basta pensar no México, mas não somente nele... no mundo inteiro! Ele foi verdadeiramente um dom para a humanidade. Sua grandeza é precisamente esta. Ainda permanecendo na sua própria identidade, ele soube dar um ar universal. E talvez por ter sido tão autêntico em seu amor por seu país, também deu um forte incentivo para que cada um possa reconhecer a sua própria identidade, sua história, suas raízes e, de alguma forma, levar esta riqueza dentro da realidade da humanidade, da Igreja, para criar uma cidade nova, um sentir-se todos filhos de Deus, sentir-se todos irmãos. O segundo aspecto que se refere propriamente à Polônia e que foi muito edificante para mim, foi o momento da eleição de Bento XVI; os fiéis poloneses na Praça de São Pedro - que tinham vindo em grande número para o funeral e que depois permaneceram, já que, durante esses anos, para nós, os poloneses, Roma tornou-se, como para João Paulo II, uma segunda casa - gritaram "Viva o Papa!" em italiano e polonês. E isso realmente me fez entender como havia amadurecido e crescido a fé dessas pessoas, dessa igreja, ao lado desse Papa que soube viver o seu ministério com uma personalidade tão forte, tão carismática e ainda foi capaz de dar o valor justo ao seu ministério com Pedro, Vigário de Cristo. Agora que ele já não está, a Igreja permanece, está Pedro, há um Papa novo, um Papa alemão.


ZENIT: Houve quem viu com receio a decisão de João Paulo II de instituir a Jornada Mundial da Juventude, pelas situações de promiscuidade que poderia haver entre os jovens?

Mons. Oder: Não havia receio por parte do Papa ou dos jovens que ainda pensavam de forma antiquada. Ele pensava de forma muito moderna. Ele era um sacerdote que sentia. Ele mesmo disse que o dom é um mistério, que o sacerdote não deve tentar estar sempre na moda, porque já está sempre na moda, e sempre atualizado, pois o que um sacerdote representa é Cristo, e Cristo é sempre o mesmo. Então, a novidade que um sacerdote traz é Cristo. E ele soube convocar esses jovens com base na novidade que é Cristo.

ZENIT: Depois, ele nos fez dormir nos corredores do Pontifício Conselho para os Leigos, pois não havia lugar para abrigar os jovens na primeira Jornada Mundial da Juventude, de 1985, com sacos de dormir diretamente no chão, sob os afrescos...

Mons. Oder: Quem teria pensado de uma revolução desse tipo? Mas isso é o que foi visto desde o primeiro dia, no início de seu pontificado, quando ele levantou a cruz, contra todos os protocolos, quando se aproximou das pessoas, contrariando toda tradição. Já se via essa novidade no dia da eleição, quando, do balcão, além da bênção, ele falou. Imagine a surpresa!

ZENIT: Será que os jovens que não conheceram João Paulo II nos perguntarão o que podemos dizer sobre ele?

Mons. Oder: Acho que serão os jovens da geração João Paulo II que falarão aos seus filhos desse pai, porque, efetivamente, a figura de João Paulo II era a personificação da paternidade. Ele era um pai, e as pessoas o amaram, lutaram com ele. Eu me lembro, acho que foi no México, de um encontro no qual o Papa teve um diálogo com os jovens, e perguntava: "Vocês renunciam à riqueza?", e eles respondiam: "Sim, nós renunciamos". "Renunciam à arrogância?", "Sim, nós renunciamos". E depois: "Renunciam ao sexo?", e eles gritaram: "Não, isso não!". Houve um diálogo, digamos, quase dialético, com os jovens, que também o amaram. Eles não aplicaram tudo, mas quiseram ouvir e, para mim, este é o mistério da sua paternidade. Não era só saber estar com eles, com os jovens, enquanto brincava com a bengala, quando se balançava com eles, quando cantava, quando seguravam suas mãos... Todos estes são gestos belíssimos. Mas a verdadeira paternidade que ele soube exercer estava em elevar o nível diante deles, porque um pai que ama seus filhos não se contentará com o fato de que jovens vivam na mediocridade, mas, conhecendo-os, saberá que têm um potencial, uma riqueza. Ele foi um pai. Não podia não exigir, não tentar, não querer, não incentivá-los. E ele fez isso. Eles nem sempre respondiam, mas sabiam que ele confiava neles, realmente apostava neles. E eu, pessoalmente, tive um pensamento que me marcou, que permaneceu comigo desde o primeiro encontro que tive com ele, quando veio para a Polônia e falou aos jovens do país. No ambiente cinzento do comunismo, sua visita foi o primeiro raio de luz. E então ele nos disse: vocês, jovens, devem esperar muito de vocês mesmos, mesmo quando ninguém espera nada de vocês. Vocês devem ser exigentes com vocês mesmos. E estas são palavras de um pai.


(Anita S. Bourdin e Sergio Mora)


in www.zenit.org