LITURGIA DIÁRIA

quinta-feira, 17 de março de 2011

A minha e a nossa religião


Faço parte dos que nasceram católicos. Não escolhi: escolheram para mim. Batizaram-me católico. Meus pais e padrinhos prometeram que me educariam nesta Igreja. Cresci acreditando ingenuamente... E não me envergonho disso, que religião tem sua dose de ingenuidade. Aprendi na minha Igreja muita coisa boa e muita coisa que hoje não aceito. Mas pelo tempo e pela idade que eu tinha, valeu. Não existem mesmo religiões perfeitas, nem catequese perfeita. Minha catequista fez o que sabia e como sabia. Os padres daquele tempo também acreditavam naquilo que diziam. Depois, minha Igreja passou por uma enorme transformação, correu os riscos de mudar, entrou em crise e conflito, avançou e recuou,e continua avançando aqui e recuando ali. Não é tudo como eu quero, mas é a Igreja que eu amo. Experimentou o Concílio Vaticano II - inspiração do papa João XXIII. Na América Latina passou por mudanças e conflitos enormes. Mas saiu das Conferências de Medellín (1967), Puebla (1981) e Santo Domingo (1992) com a intenção de se atualizar e traduzir para a nossa realidade o conteúdo da Bíblia, do Concílio e da Igreja Católica Universal. Agora, no Brasil, há uma Igreja messiânica que se chama Igreja Universal. A minha já o é há séculos. CATÓLICA quer dizer exatamente isso: para todos. Vejo pessoas magoadas e feridas criticando o catolicismo. Às vezes, sem amor algum. Padres e freiras se queixando da sua Igreja. Gente irada, ressentida, porque seu lado e sua pastoral perderam. Vejo o triunfalismo de um lado e a desesperança de outro. Seminaristas que vão embora porque não acreditam neste modelo de Igreja. Padres que saíram, claramente, em desencanto com o modelo de Igreja que venceu na sua diocese ou congregação religiosa. Leigos desencantados mudando de religião ou abandonando tudo ou por excesso de política ou por falta de política, ou por excesso de presença ou falta de presença, ou por excesso de doutrinação ou falta de doutrina, ou por excesso de idéias e falta de ações concretas. Eu fico. Porque creio. Porque sei que isso vai passar. E eu vou passar também. Quando era pequeno escolheram para mim uma Igreja, porque me amavam. Agora eu escolho e fico porque amo. Gosto de minha Igreja e é nela que desejo viver e morrer. Santa e pecadora como é. Acho que ela tem doutrina e riqueza espiritual suficiente para me ajudar. Por isso não mudo. Não estou procurando uma religião perfeita. Estou procurando uma religião que responda o que sabe e quando não sabe admita que não sabe. Ultimamente a Igreja Católica não está sabendo muita coisa... Isso é delicioso! Faço parte de uma religião que admite que perdeu muito nos últimos anos e aceita reaprender. É a minha Igreja! Católica, Apostólica e Romana. Eu fico! Sereno e feliz, porque acho que vale a pena.
Padre Zezinho

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