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LITURGIA DIÁRIA

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ver para além das aparências


Crer quer dizer, literalmente, dar o coração. Entregar-se a Deus de tal forma que não haja reservas. Lançar-se em Deus com uma confiança inesprimível, na certeza de que ele está conosco e nos quer bem. Não podemos ver a Deus, mas podemos por graça, Crer na sua existência e oferecer-lhe nossa confiança e amor. Crer não é simplesmente acreditar, ou seja, não é apenas afirmar e ter a convicção da existência de Deus ou do sobrenatural. São Tiago diz na sua carta que até mesmo o Diabo sabe da existência de Deus e estremece.
Crer é entregar o coração. É dizer: Meu Deus, eu quero que a minha vida seja regida e guiada pelo teu amor, pela tua graça, pela tua Palavra. Eu desejo estar nos teus braços, Senhor, mesmo que eu não te veja.
Ter fé é ter a capacidade de ver para além das aparências. É ser capaz de ver uma coisa e saber que é outra. Ter fé é a capacidade de perceber que as coisas não se limitam àquilo que se nos apresenta aos sentidos. As coisas de Deus não se limitam áquilo que eu posso tocar, ouvir ou ver. Ter fé é saber que as coisas de Deus não se limitam à minha capacidade meramente humana de compreender, mas que se dão a conhecer por pura gratuidade de Deus, com o auxilio do Espírito Santo.
Independentemente da minha fé o Cristo total está na Eucaristia, mas é pela fé que eu posso reconhcê-lo. Deus se manifesta na simplicidade e não precisa de coisas fantásticas para se dar a nós. Não é preciso procurá-lo em coisas extraordinárias, mas sim querer enxergá-lo na simplicidade do pão e do vinho.
No século VI da nossa era, o papa São Gregório Magno, em uma de suas homilias pascais falava sobre a fé do apóstolo Tomé, diante do evento da ressurreição de Jesus. No segundo domingo da ressurreição, Jesus apareceu no meio dos discípulos e desta vez Tomé estava com eles.
O papa Gregório nos diz que, quando apareceu Jesus, Tomé foi capaz de ver uma coisa e crer em outra. Os olhos físicos do discípulo viram o homem Jesus que havia sido morto na cruz, e que agora estava vivo de novo. O mesmo homem crucificado estava em pé, vivo, ressurrecto. Mas ele viu uma coisa e creu em outra. Naquele homem ele enxergou Deus.
O que era evidente aos olhos dos apóstolos era a humanidade do Filho de Deus, que havia passado pela paixão e ainda trazia as marcas do sofrimento. Mas ainda assim, Tomé afirmou o que não lhe era evidente, e disse: “Meu Senhor e Meu Deus”.
No mistério Eucarístico todos nós, somos convidados a termos uma atitude semelhante a de Tomé. Ou seja, ter a capacidade de ver Deus presente nas espécies de pão e vinho. Com os olhos humanos enxergar pão e vinho, mas pela fé (e lembremos que fé é dom de Deus mas decisão e vontade nossa) sabermos e afirmarmos com convicção, que Jesus Cristo se dá no seu corpo, sangue, alma e divindade.
Podemos ver uma coisa e crer noutra. Nossos sentidos podem nos induzir a algo, mas somos livres para crer em outra coisa diferente daquela a qual somos induzidos.

Pe. Ademir Nunes Farias

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