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LITURGIA DIÁRIA

segunda-feira, 22 de março de 2010

A SEMANA SANTA


A Semana Santa nos faz reviver a paixão e a morte de Jesus. Não somos meros espectadores desse drama, centro de toda a história humana. Preparados pela Quaresma, ano após ano, nos é proposta uma verdade que o mundo procura, em vão, esquecer. Trata-se do sofrimento: sua importância e sua função na vida de cada um e da sociedade. Antes de tudo, devemos ao sacrifício do Justo por excelência todo o bem e cada momento feliz de nosso peregrinar no tempo.Certamente muito difícil, contando com as forças naturais, aceitar a visão cristã da realidade.

O ambiente que nos envolve está saturado de poderosos fatores que contrariam, formal e fortemente, os valores cristãos que nos vêm do Calvário. Assim, a busca, a qualquer preço, do prazer, da felicidade terrena, fascina o homem e serve de obstáculo à afirmação da identidade com Cristo, divulga-se mesmo uma visão distorcida de cristianismo onde a morte é a cessação de todo sofrimento terreno que nos é apresentada no Tríduo Sagrado da Semana Santa.Importa valorizar a ascese, que nos une a Jesus padecente, com o objetivo de reprimir a desvairada aspiração ao gozo dos sentidos e meio de aperfeiçoamento de nossa vida espiritual.Uma conseqüência imediata, por paradoxal que seja, é o encontro da alegria. São Paulo corrobora a afirmativa, com suas palavras aos Colossenses: "Alegro-me nos sofrimentos, suportados por vossa causa" (1,24).

Essa perspectiva muda profundamente nossa concepção da vida. Diante do natural desejo do bem-estar material - evitando ou curando as dores - surge a aceitação do sofrimento, que nos chega involuntariamente. Movidos pela graça de Deus, nós o acolhemos em espírito de fé. Tais ensinamentos nos vêm do drama que esses dias da Semana Santa nos recordam.Além desses limites, nosso olhar se dilata. Devemos cumprir mais fielmente os deveres cristãos, para fortalecer nossa identidade com o Cristo sofredor. Ele veio nos remir do pecado e esta é a causa última dos padecimentos. Logo depois de criado, o homem estava isento de qualquer pena. Ao ferir a natureza em seu íntimo, introduziu a desordem que se revela na presença do sofrimento do nascer até a morte. Graças ao Salvador, obtivemos extraordinária possibilidade de transformar o fruto da desobediência a Deus em valioso instrumento de santificação.

A Semana Santa, especialmente o Tríduo Sagrado, cada ano nos ajuda a repensar nossa vida, a refletir sobre a dor, tendo diante dos olhos o drama do Calvário, e as últimas ações que levaram o Salvador à cruz.Enquanto vivemos em um ambiente hedonista, premido pela infrene busca do prazer, pelo que nos pode proporcionar satisfação dos sentidos, as cerimônias litúrgicas ajudam a praticar essa verdade cristã: seguir os passos de Cristo sofredor, para acompanhá-lo nas alegrias da Ressurreição!A 11 de fevereiro de 1984, o papa João Paulo II publicou uma Carta Apostólica denominada Salvifici doloris, sobre "O sentido cristão do sofrimento humano". Ela proporciona uma excelente leitura para esses dias, nos quais participamos da vida de Salvador padecente.Entre outros benefícios, "oferece a possibilidade de reconstruir o bem no próprio sujeito que sofre" (Idem, nº 12).

Impressiona na pregação do Mestre que ele não tenha ocultado as conseqüências dolorosas dos que a ele se consagram, ou simplesmente aderem à sua doutrina. Falou claramente: "Se alguém quer vir após mim (...) tome cada dia a sua cruz" (Lc 9,23). Previu muitas dificuldades aos que o seguissem: "Sereis arrastados diante dos tribunais e açoitados nas sinagogas, e comparecereis diante dos governadores e reis por minha causa, para dar testemunho de mim diante deles" (Mc 13,9).

Todo esse aspecto negativo, que fere nossa natureza, existe em função de algo extremamente elevado e útil, que ultrapassa toda a perspectiva natural, terrena: a dignificação do sofrimento.Essas considerações e outras do mesmo gênero, devem estar em nossa mente, no coração de cada um de nós, nestes dias santificados pela celebração da paixão do Senhor. Vibramos com a entrada triunfal em Jerusalém. Logo adiante, sofremos com a prisão, a flagelação, a via crucis, a morte e exultamos com a ressurreição. Passa por nossa memória a fraqueza dos apóstolos, a coragem das mulheres ao pé da cruz, a arrogância de Herodes, a pusilanimidade de Pilatos, o ódio de grupos de judeus, os personagens da Via Sacra, a lucidez do centurião que descobre a divindade do condenado, a diferença entre ladrões igualmente crucificados... A grandeza dos indizíveis sofrimentos, em contraposição com os nossos pecados... Todo este cenário nos propicia uma profunda reflexão. Isto pode ser exatamente aplicado à vida espiritual, à fidelidade às determinações de Deus e da Igreja.

Se não houver de nossa parte, como fiéis, uma decisão de seguir, não a própria vontade e tendências, mas as prescrições que o Magistério nos propõe, em nome de Deus, consideremos terem sido em vão, para nós, tanta dor e sofrimento. Cristo morreu por obediência. Obediência é a grande virtude da Semana Santa.Ainda hoje há os que participam de suas dores, assistem às cerimônias, vivem o drama da paixão, no sábado se recolhem no silêncio da sepultura do Senhor. Enquanto isto, continuam muitos crucificando-o. Já Pascal dizia: "Jesus estará em agonia até ao final dos tempos".E a cidade é o reflexo desses cristãos. Muda de aspecto ou continua como se nada houvesse acontecido.Somos um "pequeno rebanho". No entanto, ele é o fermento que deve levedar toda a massa. Recordemos os últimos anos do papa João Paulo II. Deus permitiu que ele experimentasse o sofrimento e com dignidade o apresentou ao mundo.


Dom Eugenio Sales

Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro

Fonte: JB Online

A Pequena Via


Por Matheus Silva de Paula


"Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.” (Mateus 19, 14)É extremamente importante para o católico o cultivo da espiritualidade. Por ela, nos ligamos a Deus de forma íntima, mística. A fé não sobrevive sem esta união. O Pai, com grande misericórdia, torna possível a nós esta união, através das diversas formas de percorrer um mesmo caminho: o caminho da salvação. Resta a cada um de nós a escolha.

Por esta razão, devemos buscar o conhecimento da Igreja de Cristo, de seus ensinamentos, e de seus santos. Através destes tesouros de nossa Igreja, podemos descobrir o caminhar com o qual melhor nos identificamos, e assim tomarmos a nossa cruz. Irmãos, Deus é tão perfeito que não olvidou nenhum detalhe! Ele nos abre o caminho e nos ensina a caminhar. E ensina a cada um conforme suas necessidades e capacidades. Como nos diz Jesus, o Pastor chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem (Jo 10, 13). Ele coloca setas para que não nos desviemos do rumo.


Estas setas são os santos a nos mostrar Deus, cada um ao seu modo, mas sempre apontando o mesmo Deus.Uma destas setas, colocada piedosamente pelo Senhor, é Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. A caminhada espiritual que esta santinha tem a nos mostrar é a Pequena Via, que significa “Caminho Humilde”. É também chamada Infância Espiritual.Teresinha, vendo-se pequena diante de tantos santos e seus atos extraordinários, imaginou se poderia alcançar a santidade, sendo ela um nada, perante eles e principalmente, perante Deus. Percebeu que em seu questionamento estava a chave que abriria as portas do seu caminhar: a pequenez. Necessário seria a ela fazer-se pequena, para que pudesse se deixar conduzir pelo Pai.Tal como uma criança ela se fazia, e como o filho é carregado pelo pai, assim ela desejava ser: não caminharia com as próprias pernas – ou seja, não por mérito próprio – mas se deixaria levar por Jesus. Como um recém-nascido, seu dever era aprender tudo: falar, comer, andar...Olhava tudo com novos olhos, como olhos de um espírito infantil, que buscava tirar de tudo uma lição de simplicidade; algo que a ensinasse a ser pequena, que a ensinasse sua pequena via. Vivendo, Teresa ia construindo, aprendendo e percorrendo o seu caminho de santidade. Em suas limitações, descobria maneiras de depender ainda mais de Deus.


Em seus defeitos, via oportunidades para construir sua espiritualidade.No Carmelo, fazia suas tarefas como se as fosse entregar ao próprio Jesus; mesmo aquelas mais penosas, obrigou-se a tomar gosto, e assim, oferecer os sofrimentos e a dificuldade em sacrifício. Desejava fazer as coisas ordinárias tão bem, de modo que as tornasse extraordinárias. Tal desejo pode se tornar também o nosso. Quantas pequenas coisas fazemos com descaso, com desejo de nos livrarmos delas? Quantas dificuldades nos apressamos em pedir a Deus que nos retire? Não precisamos ser fortes apenas ante as maiores desgraças, mas também nas pequenas coisas do cotidiano. Vencer estas simples barreiras pode ser mais custoso que vencer grandes batalhas, pois não há glória terrena nas pequenas vitórias, ninguém as vê. Deus, porém, enxerga os seus filhinhos, e recompensa a cada um na medida e no tempo certos. E como nos é pesado esperar este tempo!Santa Teresinha nos vem ensinar a transformar nosso espírito orgulhoso, sedento de grandes feitos e glórias, em espírito de criança, que tudo espera do Pai. Espírito infantil que não deseja crescer, que quer caber para sempre no colo do pai, e brincar de mãos dadas com o Menino Jesus, caminhando docemente para o céu.


Ela aprendeu que, para subir a montanha da santidade, precisava ser criança, humilde o suficiente para aceitar que precisava dos outros, que não poderia salvar-se por si mesma. Se o céu possui muitas moradas, os pequenos, por certo, podem conseguir algumas delas. O que a Santinha de Lisieux mostra, é que Deus não nos inspira desejos impossíveis de se realizar – o que ela aprendeu com São João da Cruz. Assim, é perfeitamente possível ser santo, independente do tamanho da alma. O céu tem lugar para os grandes e para os pequenos que fazem por merecê-lo; para os que sobem à pé o monte, e para os que buscam o ascensor.A Pequena Via não foi inventada por Teresinha. Está contida nas Sagradas Escrituras, nos ensinamentos de Cristo acerca da humildade e da pequenez. Está embutida na comparação que o Divino Filho faz dos possuidores do Reino dos Céus às criancinhas:"Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os discípulos, porém, as afastavam. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham." (Mateus 19, 13 -14)Ela nos ensina de forma fiel aos ensinamentos do Crucificado, uma via simples, humilde, pequena, de fácil compreensão: a Pequena Via é uma vida de confiante entrega à Vontade Divina, adotando para si um coração de criança.Por que Jesus deseja que nos façamos como crianças?Só o coração puro e desprovido de ambições, como é o coração de criança, pode confiar e se entregar totalmente ao Pai, sem temer os obstáculos do caminho.


Este coração consegue se tornar santo não para beneficiar a si próprio, mas para agradar a Deus. Trilhar a Pequena Via é ser como Santa Teresinha foi: viver para Deus, santificando-se pelo ordinário, aceitando o destino e os sofrimentos, e transformando-os em mais passos rumo ao céu. Não se preocupar consigo mesmo, com sua vida; apenas viver, colhendo as rosas... sem temer os espinhos.

In http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=524

CRUZ E EUCARISTIA - AMOR AO EXTREMO


Por Ana Maria Bueno Cunha

A criação é obra do amor. Certamente, antes da Encarnação do Verbo, o homem podia duvidar que Deus o amava com ternura; porque, a rigor, a verdade desse fato, surpreendente e incrível, não era coisa que podíamos compreender na ordem natural. Mas depois que Ele nos revelou o seu segredo numa epifania de sangue, depois da morte de Jesus Cristo, quem poderia duvidar disso? Agora que a luz iluminou o nosso caminho compreendemos que, em todas as partes, Ele nos envolve com Seu amor irresistível. (Santo Afonso de Ligório - A prática do amor a Jesus Cristo - Editora Santuário - Ano 2002)

Quanto mais estudamos a doutrina de Cristo e as palavras dos Santos que morreram por amor a Ele, mais entendemos que nossa santidade, aliás, toda nossa santidade e perfeição, consiste em amar nosso Redentor e Salvador, Jesus Cristo. O amor a Deus consiste na caridade que é o vínculo da perfeição e esta conserva todas as virtudes que fazem um homem perfeito.Santo Agostinho já dizia: "Ama e faz o que queres".

Se amamos a Deus, evitamos tudo que Lhe desagrada e buscamos solidamente todo bem que é fazer de fato, tudo que Lhe agrada. A história mostra, assim como toda criação e sobretudo cada um de nós, que Deus nos amou primeiro e tudo fez para demonstrar este amor eterno. Mas Ele, num designo de pura bondade, não se contentando com tudo isso, deu-nos, para cativar nosso amor e compreendermos o Seu amor, Seu Filho único e amado. Afinal, Deus que criou tudo do nada, e nos deu tantos dons, ao ver-nos mortos sem sua graça santíssima, levado por um amor excessivo, enviou este Filho para morrer por nós. "Mas Deus que é rico em misericórdia, pelo excessivo amor com que nos amou, quando ainda estávamos mortos por nossos pecados, nos vivificou juntamente com Cristo" (Ef 2,4-5)Se Deus não poupou Seu próprio Filho, como não nos dará com Ele todas as coisas? (cf. Rm 8,32).

O Filho, por amor, deu-Se a nós por inteiro, e para tanto Se revestiu de carne – O Verbo de Deus se fez carne – para nos remir da morte eterna, recuperar a graça divina, o paraíso perdido. Eis aqui um Deus aniquilado! "Esvaziou-se a Si mesmo e assumiu a condição de servo tomando a semelhança humana" (Fl 2,7)Jesus foi servo na dor, porque sem morrer nem sofrer, podia muito bem nos salvar. Mas não! Escolheu uma vida de aflições e desprezos e uma morte cruel e vergonhosa. Morreu numa Cruz, destinada aos criminosos: "Humilhou-se ainda mais e foi obediente até a morte e morte de Cruz" (Fl 2,8). Jesus escolheu morrer e sofrer simplesmente para mostrar o Seu infinito amor pelos pecadores e o desejou ardentemente, quando assim se expressava: "Devo receber o batismo, e quanto o desejo até que ele se realize!" (Lc 12,50). Por isso a caridade de Cristo deve nos constranger e deve nos obrigar mesmo amá-Lo. Como nos diz São Francisco de Sales: "Este sofrimento e morte de Cristo não é como que ter nosso coração debaixo de uma prensa?" (Tratado do amor de Deus). O que nos leva a compreender que devemos morrer para qualquer outro amor para viver no amor de Cristo.Que loucura fez Deus diante da humanidade para se expor e morrer assim? Que vergonha para Sua grandeza.

Quem fez isso? Pergunta São Bernardo. E responde: Foi o amor, que esqueceu sua dignidade (Tractatus de caritate). É que o amor quando quer se fazer conhecido, não leva em conta aquilo que mais convém à dignidade da pessoa que ama, mas o que mais condiz manifestar-se à pessoa amada.Se a fé não nos garantisse, quem poderia crer que Deus onipotente, Senhor de tudo, quis amar tanto os homens, parecendo até ficar fora de Si, por amor de nós? São Lourenço Justiniano dizia: "[/i]Vimos a própria sabedoria, o Verbo Encarnado enlouquecido por excessivo amor pelos homens[/i]" (Sermo im Nativ. Domini n. 4).

Devemos compreender que a origem do amor de Jesus Cristo para com os homens é sua caridade para com Deus. Ele mesmo disse aos Seus discípulos na Quinta-feira Santa: "Para que o mundo saiba que amo o Pai 'levanta-vos e vamos'". Aqui também está a fonte de nosso amor, amar a tudo e a todos, mesmo nas dificuldades, por amor à Deus, que merece ser amado por tudo que nos fez. Todos os sofrimentos que Cristo se impôs para nos mostrar Seu amor, são muito menores que Seu amor distribuído, pois Ele amou muito mais do que sofreu. Somente por amor, Ele sofreu daquela maneira, e este amor, superou todo o sofrimento, o que nos leva a meditar na grandeza d'Aquele que amou até o fim.O maior sinal de amor é dar a vida pelos amigos, e Jesus o fez; e este amor, quando se dá a conhecer, faz as pessoas saírem de si e ficarem estarrecidas, e por isso muitas daquelas que compreendem este amor, sentem afervorar-se o coração, desejam o martírio, alegram-se nos sofrimentos, tem alívio nas dores. Passeiam nas brasas como se fossem rosas, desejam os tormentos, regozijam-se com o que o mundo teme, abraçam o que o mundo detesta. Como nos diz Santo Ambrósio: Como pagar a Cristo este amor? São João de Ávila nos ajuda: "Ó grande amor, o que fizestes? Viestes para curar e me feristes? Viestes para me ensinar a viver e me tornastes semelhente a um louco? Ó sábia loucura, não viva mais eu sem Vós! Senhor, quando Vos vejo na Cruz, tudo me convida a amar: o madeiro, a vossa pessoa, as feridas de Vosso corpo e principalmente o Vosso amor. Tudo me convida a Vos amar e a não me esquecer mais de Vós" (Trattati del SS. Sacramento dell’Eucaristia).

Diante de tudo isso, devemos buscar meditar Sua paixão, pois é um poderoso meio de obter o perfeito amor a Jesus Cristo. Esta devoção nos consola, nos anima e nos enche de esperança e forças de lutar. Santo Agostinho nos diz: "Vale mais uma lágrima derramada ao lembrar da Paixão, do que o jejum e água em cada semana".Santo Tomás de Aquino, Doutor e mestre da Igreja, auxilia quem deseja chegar ao perfeito amor de Cristo e para isso nos mostra os meios adequados: Recordar continuamente dos benefícios divinos, gerais e particulares. Considerar a infinita bondade de Deus que está sempre nos fazendo o bem. Sempre nos ama e procura ser amado por nós. Evitar com cuidado tudo que O desagrada, por mínimo que seja. E por fim, renunciar a todos os bens sensíveis deste mundo: riquezas, honras e prazeres dos sentidos.Um dia aconselharam a São Francisco de Assis, já doente, a ler um livro piedoso. Ele respondeu: "Meu livro é Jesus Crucificado" e disse: "Quem não se enamora de Deus, vendo Cristo morto na Cruz, não se abrasará jamais".Como não se bastasse ter se tornado homem como nós e ter morrido na Cruz, Nosso Senhor, antes de deixar este mundo, quis deixar-nos a maior prova possível de Sua entrega. Ele nos deixou em memória de Seu amor nada mais nada menos que o Seu corpo, o Seu sangue, a Sua alma, a Sua divindade, Ele mesmo, todo, sem reservas. Neste dom da Eucaristia – diz o Concilio de Trento – Cristo quis derramar todas as riquezas do amor que reservava para os homens. (Sess. XIII,c,2). Ele quis dar esse presente aos homens precisamente na noite em que eles lhe preparavam a morte.

Esta é a maravilhosa prova de amor de Nosso Senhor a nós pecadores, e se algum dia duvidarmos dela, tenhamos neste sacramento esta prova. Com tal garantia nas mãos, não podemos ter dúvidas de que Ele nos ama e muito!São Bernardo chama este sacramento: "Amor dos amores". É que este dom compreende todos os outros que o Senhor nos fez: A criação, a redenção, o destino ao Céu. Quando Jesus revelou a seus discípulos esse sacramento que nos queria deixar, eles não puderam acreditar: "Como pode Ele nos dar a comer sua carne?" Mas Jesus disse a eles: "Tomai e comei" – disse aos discípulos e por eles a todos nós, antes de morrer! Depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o Meu corpo que é dado por vós". Este alimento não é terreno, mas veio do Céu para dar vida ao mundo. E para que todos pudessem recebe-lo, quis ficar sob as aparências de pão, este a quem todos tem acesso.

As palavras de Cristo nos chamam a amá-Lo e a desejá-Lo, e elas nos levam a desejar o paraíso quando O ouvimos dizer: "Quem come a Minha carne viverá eternamente". Também nos levam a rejeitar o mal quando nos diz: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós".Santo Tomás nos ajuda a compreender o porque deste desejo divino de se estar conosco: é que os amigos, que se amam de coração, querem estar unidos de tal modo que formem uma só pessoa. Deus não só Se dá a eles no Reino eterno, mas já neste mundo Se deixa possuir pelos homens na união mais íntima possível. Ali - como nos diz Santo Afonso de Ligório - Ele está como atrás de um muro nos olhando e nos ajudando, até que chegue o dia, no paraíso, em que O veremos face a face. Devemos, portanto, estar certos de que uma pessoa não pode fazer nem pensar fazer coisa mais agradável a Jesus Cristo, do que comungar com as disposições convenientes a tão grande hóspede. Assim se une a Cristo, pois esta é a intenção do Senhor.

Fiquemos atentos a isto: disposições convenientes e não dignas, porque se estas fossem exigidas, quem poderia comungar? Só um outro Deus seria digno de receber um Deus. Basta que ordinariamente falando, devemos comungar em estado de graça e com vivo desejo de crescer no amor a Jesus Cristo. O Pai tudo colocou nas mãos do Filho e este quando vem até nós traz consigo imensos tesouros de graças.O Concílio de Trento nos ensina que a comunhão é o remédio que nos livra dos pecados veniais, das nossas faltas cotidianas e nos preserva dos mortais (Sess. XIII,c.2). Diz-nos que somos livres das falhas cotidianas porque, segundo Santo Tomás, por meio deste sacramento, o homem é estimulado a fazer atos de amor e por eles se apagam os pecados veniais. Somos preservados dos pecados mortais, porque a comunhão nos confere o aumento da graça que nos preserva das faltas graves (Summa Theol. 3p,q.79,a.4).Sobre isso escreveu Inocêncio III: "Jesus Cristo com Sua Paixão nos livrou do poder do pecado, mas com a Eucaristia nos livra do poder de pecar. Além disso, este sacramento inflama de modo especial as pessoas no amor de Deus".

Por fim, somos de fato felizes pelo Senhor não nos ter deixado na ignorância, o que nos impele a amá-Lo sempre, tendo confiança de que Ele colabora conosco, podemos dizer a Ele: "Em Vossas mãos entrego meu espírito, salva-me Senhor, Deus da verdade". Esta verdade que nos auxilia a recuperar a esperança do perdão e da salvação eterna. Que mistérios de esperança são para nós a Paixão de Cristo e o Sacramento da Eucaristia! São Paulo nos exorta: "Aproximemo-nos com confiança do trono da graça a fim de conseguir misericórdia e alcançar a graça de uma ajuda oportuna". Este trono é a Cruz de Cristo e a fonte que jorra abundantemente é a Eucaristia. Puro dom de Deus!

In http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=480

O DOM DA EUCARISTIA: O encontro do sacerdote com Jesus na Eucaristia, fonte da Nova Evangelização


Por Cardeal Van Thuan
fonte: Revista SacerdosEdição Maio-Junho 2003


Muitas vezes pensamos que temos de ser santos para poder celebrar dignamente os santos mistérios: não ter pecado, santificar-se. Todas as manhãs reconhecemos que somos pecadores para celebrar dignamente. Contudo, poucas vezes pensamos, ou nunca, que a celebração da Eucaristia contribui para fazer do sacerdote um homem de Deus, um santo.


I. A minha experiência pessoal

A celebração faz do sacerdote um santo. É por causa disto que eu quero compartilhar com vocês a minha experiência eucarística, assim como a experiência de outras pessoas íntimas que me marcaram com a sua fé, com a sua devoção à Eucaristia.No seminário, minha formação se inspirou na vida do Cura D´Ars, são João Maria Vianney, e do Padre Pio. Eles me acompanharam durante toda a vida sacerdotal. Quando eu celebrava sozinho na prisão, João e Pio estavam sempre diante de mim e celebravam comigo. Foi graças ao seu sacrifício e ao seu amor pela Eucaristia que eu pude sobreviver na prisão. Lembro-me de que o Padre Pio celebrava a missa não em vinte ou trinta minutos, mas em uma hora, uma hora e meia. Ninguém reclamava da duração da missa, porque todos estavam fascinados pela sua maneira de celebrar, inclusive os bispos que assistiam. Entretanto, algumas pessoas mal-intencionadas pediram ao Santo Ofício que o proibisse de celebrar a Eucaristia desta forma, e então o Padre Pio foi obrigado a celebrar a missa em no máximo 45 minutos. O Padre Pio obedeceu à ordem, mas os fiéis pediram à Santa Sé a permissão para o frade celebrar a missa como antes, e Pio XII deu a autorização.Alguém perguntou a São João Maria Vianney porque às vezes ele chorava e outras vezes sorria quando celebrava a missa. Ele respondeu que sorria quando pensava no dom da presença de Jesus na Eucaristia e chorava quando pensava nos pecadores que não podem receber tal dom. Quando fui preso, retiraram todos os meus pertences, mas me permitiram escrever para casa e pedir roupa e remédios. Eu pedi que me enviassem vinho em frascos de remédio para o estômago. No dia seguinte, o diretor da prisão me chamou para perguntar se eu estava mal do estômago, e se tinha algum remédio. Depois de escutar as minhas respos-tas afirmativas, me entregou um pequeno frasco de vinho com uma etiqueta que dizia “remédio para a dor de estômago”. Este foi um dos dias mais felizes da minha vida! Desta forma eu pude celebrar a missa dia após dia, com três gotas de vinho e uma gota d´água na palma da mão e com um pouco de hóstia que me davam para a celebração, e que eu guardava com muito cuidado contra a umidade.Depois, quando estava com outras pessoas de fé católica, era abastecido de vinho e de hóstias, que os seus familiares levavam quando iam visitá-los. De um modo ou de outro, eu quase sempre pude celebrar a missa, sozinho ou acompanhado. Celebrava depois das nove e meia da noite, porque a essa hora não havia luz e conseguíamos juntar umas seis pessoas. Todos dormiam numa cama comum, 25 em cada parte. Cada um dispunha de 50 centímetros: estávamos como sardinhasQuando celebrava e dava a comunhão, secávamos o papel dos maços de cigarro dos prisioneiros e, com arroz, os pregávamos para fazer uma pequena bolsa na qual colocávamos o Santíssimo. Todas as sextas-feiras tínhamos uma aula de marxismo, e todos eram obrigados a participar. Depois havia um pequeno intervalo, e era quando os cinco católicos levavam o Santíssimo a outros grupos. Eu também o levava num pequeno pacote que colocava na minha bolsa, e assim a presença de Jesus me ajudava a ser corajoso, generoso, amável, e a dar testemunho de fé e de amor aos outros. A presença de Jesus fazia maravilhas, porque entre os católicos também havia alguns que eram pouco fervorosos, menos praticantes... Havia ministros, coronéis, generais e, na prisão, cada um em particular fazia uma Hora Santa todas as tardes, uma hora de adoração e de oração diante de Jesus eucarístico. Assim, na solidão, na fome... uma fome terrível, foi possível sobreviver. Desta maneira dávamos testemunho na prisão. A semente tinha sido semeada. Ainda não sabíamos como ia germinar, mas pouco a pouco, um a um, budistas, membros de diversas religiões, inclusive fundamentalistas hostis ao catolicismo manifestavam o desejo de ser católicos. Nos tempos livres eu ensinava catecismo a todos juntos. Batizava às escondidas e... era até padrinho. A presença da Eucaristia mudou a prisão, que era lugar de vergonha, de tristeza, de ódio e que tinha se transformado em lugar de amizade, de reconciliação e em escola de catecismo. Sem saber, o governo tinha feito uma escola de catecismo! A presença da Eucaristia é muito forte, a presença de Jesus é irresistível. Eu e todos os meus companheiros de prisão somos testemunhas disto.


II. A Celebração Eucarística nos santifica

Não devemos ser santos para celebrar a Missa, mas celebrar a Missa para sermos santos.

1. In persona Christi - Quando celebramos a Santa Missa nos santificamos, porque o fazemos in persona Christi. Da mesma forma, as meditações, oração, a ação de graças, o louvor, a oblação e a intercessão. Somos intercessores e estas funções, in persona Christi, nos ajudam a ser santos. Estas funções renovam a lembrança da nossa ordenação. São Paulo pede que nós pensemos na nossa ordenação, no momento em que nos impuseram as mãos. In persona Christi não está somente a lembrança da nossa ordenação, mas a identificação com Cristo. E quando pronunciamos as palavras da consagração, nos sentimos mais do que nunca filhos de Maria. Todas as manhãs somos renovados porque começamos uma aliança nova, sempre mais nova e eterna, que não termina. Esta identificação nos ajuda a ser santos. Também nos santificamos porque a Eucaristia é fonte da nova evangelização.

2. Fonte da nova evangelização - A Eucaristia nos ajuda a realizar a nova evangelização por todo o mundo. No Vietnã, na fronteira entre Laos e China, há uma aldeia cujos habitantes falam pouco o vietnamita, mas o entendem. Um dia, um sacerdote que vivia muito longe de lá viu um grupo daquelas pessoas caminhando e lhes perguntou para onde iam. Responderam que iam se batizar. O sacerdote perguntou como tinham aprendido o catecismo, pois não existia um catecismo na sua língua. Responderam que tinham escutado uma estação de rádio de Manila: “Fonte da vida”. O sacerdote sabia que era uma rádio protestante, mas a rádio protestante também faz católicos! O pároco lhes convidou a ficar alguns dias com ele, para rezar e se preparar para o batismo. Eles responderam que só podiam ficar dois dias porque já tinham empregado seis pelo caminho, a pé nos montes, e devendo gastar outros tantos para voltar só tinham arroz suficiente para ficar aquele período de tempo. Nesses dois dias, o pequeno grupo de pessoas se preparou para receber o batismo e a comunhão, e assistiram à Missa pela primeira vez. Depois voltaram felizes para a aldeia de onde tinham vindo. Os comunistas os perseguiam e não davam autorização para construírem uma igreja. Então eles se organizaram, em segredo, com outros habitantes da aldeia, para dividir o trabalho da construção. Alguns se encarregariam da porta, outros das janelas, outros do piso, outros do teto. E numa noite de lua, levantaram uma pequena igreja de madeira. No dia seguinte a polícia foi atrás dos construtores e ordenou que igreja fosse destruída. Porém, toda a aldeia de 400 pessoas foi solidária e assumiu a responsabilidade da construção da igreja, que não foi derrubada. Os recém-convertidos ao catolicismo sempre têm um vivo desejo de também levar a Palavra de Deus aos outros e, para fazer isto, às vezes têm que lançar mão de planos muito engenhosos. De fato, no regime comunista há um grande controle sobre as pessoas, que devem denunciar se alguém sai da aldeia ou entra, mesmo que seja só durante um dia. Para solucionar essas proibições são organizadas falsas brigas, e culpam como responsáveis da desordem algumas famílias que são convidadas a sair da aldeia. Essas famílias são as que depois levarão o Evangelho a outras aldeias e se transformarão em catequistas. É como no tempo dos apóstolos. Quando eu saí da prisão muitos vieram me visitar. Eu tinha conseguido para eles um rádio, para eles poderem acompanhar a Missa na estação Véritas, enquanto trabalhavam nos campos ou com os búfalos. Às nove e meia paravam o trabalho e se reuniam para assistir à Missa, escutar a pregação e recobrar forças para a nova evangelização. Estas pessoas sofrem muito, mas a presença de Jesus as ajuda.


III. A Eucaristia é força que transforma

Durante a celebração é preciso concentrar-se plenamente nos textos que são lidos, nos gestos que se realizam. Todos vocês têm a oportunidade de ver como o Papa celebra a Missa. Está tão absorvido na oração que se esquece de tudo o que está ao seu redor. Com freqüência fazem um gesto depois da comunhão para avisá-lo de que deve concluir a Missa, porque ele está transformado pela presença de Jesus. Um dia fui convidado pelo Cardeal polonês André Deskur, amigo pessoal do Papa. Quando estávamos comendo, ele me convidou para ir ver a sua pequena capela. Fui, mas não notei nada em particular. Então o cardeal me disse que enquanto todo o prédio tem o piso de mármore, o da capela é de madeira, porque ele mandou trocar com medo de o Papa pegar uma pneumonia. De fato, desde que era sacerdote, bispo, cardeal, o Santo Padre freqüentemente rezava durante longo tempo prostrado por terra com os braços em cruz. Seu secretário me disse que ele ia sete vezes à capela para adorar o Santíssimo. É como se o Papa visse Jesus. As pessoas podem encontrar Jesus em homens como João Paulo. Quando eu era diácono, servi a um cardeal da Armênia. Durante a bênção com o Santíssimo eu ficava impressionado com os seus gestos. Profundamente impressionado, porque quando colocava o incenso ele não estava em silêncio como todos nós, mas cantava o Tantum Ergo com tamanha devoção que transformava aquele momento em algo inesquecível. Este é o tipo de pessoas de que precisamos, porque elas encontraram Jesus e ajudam os outros a encontrá-lo. Tive a oportunidade de constatar como a Madre Teresa rezava na igreja diante do Santíssimo. É inesquecível. Nas sacristias das casas da Madre Teresa está escrito, para ajudar os sacerdotes: “Celebra cada Missa como se fosse a tua primeira, a tua única, a tua última Missa”. A Madre Teresa pediu que escrevessem isto para lembrar a todos os sacerdotes que celebram nas suas casas. É uma graça muito grande ver como a Madre Teresa rezava diante do Santíssimo!A formação que recebemos no seminário ajuda muito. Me comovem profundamente, até o âmago, hinos como o Sacris Solemnis, o Pange Língua, o Lauda Sion. Vemos toda a teologia nestas palavras: a fé no Santíssimo, na Eucaristia... Quando eu canto o Pange Língua – “in supreme nocte Coene, recumbens cum fratribus, observata lege plene, cibis in legalibus, cibum turbae duodenae se dat suis manibus” -, eu sinto que Jesus está presente. “Suis manibus”, que nos dá o Santíssimo! Quando eu canto o Lauda Sion não posso conter as lágrimas, porque eu vejo a graça do Senhor: “Sumunt boni, sumunt mali, sorte tamen inaequali, vitae vel interitus. Mors est malis, vita bonis; vide paris sumptionis quam sit dispar exitus”. Trata-se de um tratado de teologia viva, narrativa. Então, o que devemos fazer com a nossa vida? “Eucaristizar”. Transformar tudo em Eucaristia, para podermos ter o homem eucarístico, a Igreja eucarística, a terra eucarística, e assim toda a vida será Eucaristia. O mundo eucarístico da Igreja que crê, que espera, que guia, que está destinada à Restauração, que proclama a Trindade, que sempre renova o mundo, a sociedade. E estes são os meus bons desejos e a minha oração por todos vocês. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Nota:O Cardeal Van Thuan foi presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Faleceu em Roma no dia 16 de setembro de 2002, depois de uma dolorosa doença. Estas meditações foram pregadas nos exercícios espirituais dirigidos aos membros do Centro Pastoral Logos, em fevereiro de 2002.

Quem foi François-Xavier Nguyên Van Thuân


(Phanxicô Xaviê Nguyễn Văn Thuận) (Phu Cam, Huế, 17 de abril de 1928Roma, 16 de setembro de 2002) foi um bispo e cardeal vietnamita da Igreja Católica.

Biografia
Nasceu numa família que contava oito filhos. Vinha de uma família que contava com numerosos mártires da fé. Sua mãe, todas as noites, contava-lhe histórias bíblicas e narrava-lhe testemunhos de mártires, especialmente de seus antepassados.
Fez seus estudos no seminário menor e depois no seminário maior e foi ordenado sacerdote católico em
11 de junho de 1953. Continuou os seus estudos em Roma onde formou-se em Direito Canônico. Retornando ao Vietnam foi encarregado da formação dos padres da sua diocese como reitor e professor do seminário e, em 24 de junho de 1967 foi nomeado bispo da diocese de Nha Trang, no centro do Vietnam, diocese pela qual sempre confessou predileção.
Oito anos depois, o
Papa Paulo VI o nomeou arcebispo coadjutor de Saigão. Ardoroso animador dos leigos e jovens, prepara-os para participarem dos conselhos pastorais.
O Cardeal vietnamita Van Thuan, que presidiu o
Pontifício Conselho Justiça e Paz, deu início à publicação do Compêndio da Doutrina Social da Igreja publicado em 2004.

Prisão do arcebispo
Em
1975 foi nomeado por Paulo VI arcebispo coadjutor de Saigão. Sua nomeação foi recusada pelo governo comunista, que no dia 15 de agosto de 1975 - dia de Nossa Senhora da Assunção - o convoca ao palácio do governo e após o coloca em prisão domiciliar. Posteriormente foi preso por treze anos. Em 1976 esteve no cárcere da prisão de Phu Khanh, após foi conduzido ao campo de reeducação de Vinh Phu no Vietnam do Norte, após em prisão domiciliar em Giang Xa e finalmente em Hanoi. Foi libertado em 21 de novembro de 1988 e conduzido à residência do arcebispo de Hanói.
Sobre a sua prisão pelo regime comunista disse: "Disseram-me que minha nomeação era fruto de um complô entre o Vaticano e os imperialistas para organizar a luta contra o regime comunista", contava Van Thuan.
Rumo à prisão, tomou uma decisão:
Vinham-me à mente muitos pensamentos confusos: tristeza, abandono, cansaço depois de três meses de tensões… Porém, em minha mente surgiu claramente uma palavra que dispersou toda a escuridão, a palavra que Monsenhor John Walsh, Bispo missionário na
China, pronunciou quando foi libertado depois de doze anos de cativeiro: ‘Passei a metade da minha vida esperando’. É verdadeiríssimo: todos os prisioneiros, inclusive eu, esperam a cada minuto sua libertação. Porém, depois decidi: ‘Eu não esperarei. Vou viver o momento presente, enchendo-o de amor.
De fato, foi o que fez: amou, amou, amou. As condições não eram favoráveis. Durante alguns meses esteve confinado numa cela minúscula, sem janela, úmida, que para respirar passava horas com o rosto enfiado num pequeno buraco no chão. A cama era coberta de fungos.
Os nove primeiros anos foram terríveis: "uma tortura mental, no vazio absoluto, sem trabalho, caminhando dentro da cela desde a manhã às nove e meia da noite para não ser destruído pela artrose, no limite da loucura".
Buscava conversar com os carcereiros, que resistiam, mas logo eram seduzidos por sua gentileza e inteligência. Contava-lhes sobre países e culturas diferentes. Isso chamava sua atenção e instigava a curiosidade. Logo começavam a fazer perguntas, o diálogo se estabelecia, a amizade se enraizava. Chegou a dar aulas de inglês e francês.
No começo, a cada semana os guardas eram substituídos, mas logo as autoridades, para evitar que o exército todo fosse "contaminado", deixou uma dupla de carcereiros fixa. Estes espantavam-se de como o prisioneiro pudesse chamar de amigos os seus carcereiros, mas ele afirmava que os amava porque esse era o ensinamento de Jesus.

"O Caminho da Esperança"
Como o amor é criativo, Van Thuan encontrou também um jeito de se comunicar com seu rebanho:
Em outubro de
1975, fiz um sinal a um menino de sete anos, Quang, que regressava da missa às 5 horas, ainda escuro: Diz à tua mãe que me compre blocos velhos de calendários. Mais tarde, também na escuridão, Quang me traz os calendários, e em todas as noites de outubro e novembro de 1975 escrevi da prisão minha mensagem ao meu povo. Cada manhã o menino vinha recolher as folhas para levá-las à sua casa e fazer que seus irmãos e irmãs copiassem-na.
Assim foi escrito o livro "O Caminho da Esperança", posteriormente publicado em oito idiomas: vietnamita, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, coreano e chinês.[
carece de fontes?]
Em
1980, na residência obrigatória de Giang-xá, no norte do Vietnam, sempre de noite e em segredo, escreveu seu segundo livro: ""O caminho da esperança à luz da Palavra de Deus e do Concílio Vaticano II""; depois o terceiro livro: ""Os peregrinos do caminho da esperança"".
Sempre inspirado pela criatividade amorosa, Van Thuan escreveu uma carta aos amigos pedindo que enviassem um pouco de vinho, como remédio para doenças estomacais. Assim, a cada dia, três gotas de vinho e uma de água eram suficientes para trazer "Jesus eucarístico" à prisão. Os pedacinhos de pão consagrado eram conservados em papel de cigarro, guardado no bolso com reverência. De madrugada, ele e os poucos católicos detidos ali davam um jeito de adorar o Senhor escondido com eles.
Um dia, enquanto trabalhava de lenhador, Van Thuan pediu ao amigo carcereiro: "Queria cortar um pedaço de madeira em forma de cruz… Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Você vai andando e me deixa só." Assim, conseguiu como companheira aquela rústica cruz feita por ele mesmo.[
carece de fontes?]
Para completar sua obra, pediu: "Amigo, você me consegue um pedaço de fio elétrico?" Este ficou espantado, sabia que quando prisioneiros conseguem fios, suicidam. Mas Van Thuan explicou: "Queria fazer uma correntinha para levar minha cruz." Saindo da prisão, com uma moldura de metal, aquele pedaço de madeira tornou-se sua cruz peitoral.
O Cardeal Van Thuan foi libertado no dia
21 de novembro de 1988. Em setembro de 1991 deixou o Vietnam e foi para Roma, onde presidiu o Pontifício Conselho Justiça e Paz. Tão logo chegou a Roma foi-lhe dado conhecimento que o governo do Vietnam não desejava o seu retorno ao país.
Em 1994 foi nomeado vice-presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz e em 1995 foi nomeado postulador da Causa de beatificação de
Marcel Van.

Cardinalato
Escreveu mais um livro: "Testemunhas da esperança" (Retiro ministrado ao papa João Paulo II e a cúria romana pela passagem do Jubileu do Ano 2000) no qual relata sua experiência de prisioneiro. Fazia questão de dizer que não se trata de um livro para fazer denúncias, mas testemunhar o dom da esperança.
Em
21 de fevereiro de 2001 foi escolhido como cardeal pelo papa João Paulo II; o cardeal van Thuan foi levado em 16 de setembro de 2002 ao hospital romano Pio XI, padecendo de câncer, na idade de 74 anos, faleceu no dia 17 de setembro de 2002.[1] Seus funerais foram presididos pelo Papa João Paulo II na basílica vaticana em 20 de setembro de 2002.[2]
João Paulo II pediu-lhe que lhe pregasse o retiro espiritual da quaresma e à cúria romana no ano de 2000.[3]

Beatificação
Em
18 de abril de 2007, Monsenhor Giampaolo Crepaldi, secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz anunciou a abertura da causa de beatificação do cardeal François-Xavier Nguyên Van Thuân.
No dia
17 de setembro de 2007 o Papa recebeu os integrantes do Pontifício Conselho Justiça e Paz por ocasião do V aniversário da morte do Cardeal Van Thuan cuja causa de beatificação se havia acabado de abrir. O Cardeal Renato Raffaele Martino nomeou a advogada Silvia Mônica Correale como postuladora do processo de beatificação.

Citações
Bento XVI falando sobre ele destacou a sua
"cordialidade e capacidade que tinha de dialogar e de fazer-se próximo de todos; (…) seu fervoroso compromisso na difusão da doutrina social da Igreja entre os pobres do mundo, o anelo pela evangelização no seu continente, Ásia, a capacidade que tinha de coordenar as atividades de caridade e de promoção humana que promovia e sustentava nos lugares mais longínquos da terra".
[4]
Disse ainda que
"era um homem de esperança, vivia de esperança e a difundia entre todos os que encontrava. Graças a esta energia espiritual resistiu a todas as dificuldades físicas e morais. A esperança o sustentou como bispo isolado durante treze anos de sua comunidade diocesana; a esperança o ajudou a perceber o absurdo dos eventos que lhe sucederam - nunca foi processado durante sua longa detenção - um desígnio providencial de Deus."
[4]
Em
30 de novembro de 2007, comentando a sua encíclica Spe salvi, o Papa Bento XVI voltou a se referir a ele como exemplo de como a oração é modelo de esperança:
"Há outro testemunho de que, em uma situação de "desespero aparentemente total", a escuta de Deus e poder falar com ele foi uma força crescente de esperança: trata-se do servo de Deus, o cardeal vietnamita François-Xavier Nguyên Van Thuân (1928-2002), uma figura inesquecível."
"Treze anos nas prisões vietnamitas; deles, nove em isolamento: sua experiência de esperança, graças à oração, "lhe permitiu ser para os homens em todo o mundo uma testemunha da esperança, daquela grande esperança que não declina, mesmo nas noites da solidão".
[5]

Obras publicadas
(em francês)
Une vie d'espérance Vie de François-Xavier Nguyen Van Thuan André Nguyen Van Chau (2007, édition du Jubilé)
365 jours d'espérance, Nguyen van Thuan François-Xavier (2005, édition du Jubilé)
Prières d'espérances, Nguyen van Thuan François-Xavier (1995, édition du Jubilé)
À la lumière de la Parole de Dieu et du Concile, Nguyen van Thuan François-Xavier (1994, édition du Jubilé)
Les pèlerins du chemin de l'Espérance, Nguyen van Thuan François-Xavier (1993, édition du Jubilé).
Sur le chemin de l'Espérance, Nguyen van Thuan François-Xavier (1991, édition du Jubilé).

In http://pt.wikipedia.org

Como rezar?


São Paulo escreveu: “Não sabemos como rezar, mas o Espírito reza em nós”. Eis a chave para compreender o verdadeiro sentido da oração cristã.
Ele refere-se assim à oração profunda do coração, onde encontramos “o amor de Deus disperso nas profundezas do nosso coração pelo Espírito Santo que Ele nos deu”.
A questão é saber como nos podemos abrir a essa torrente de amor que atinge o mais “profundo do nosso ser”?
Consideremos, em primeiro lugar, os três elementos essenciais da oração contemplativa. Eles dão a resposta à pergunta “como rezar”. Rezamos ficando silenciosos, despertos e descontraídos.

1. O Silêncio
O silêncio é necessário, tanto para a nossa saúde mental, como para o nosso crescimento espiritual. Contudo, torna-se cada vez mais difícil de praticar o silêncio no centro das cidades modernas, no barulho da circulação, da rádio e da televisão.
Mas o verdadeiro silêncio é interior. Com efeito, se nos encontramos num lugar muito barulhento e se nos concentrarmos, podemos “fazer” o silêncio em nós. Aprendemos a estar em silêncio ao nos concentrarmos.
Nada nos impede de estar em silêncio numa rua movimentada, no congestionamento do trânsito ou numa fila de espera na caixa do supermercado. Aprender o silêncio, ensina-nos a rezar em qualquer situação.
O silêncio é verdade. O silêncio é cura. O silêncio pacifica as nossas perturbações interiores. O silêncio é o remédio para o azedume e a raiva.
No silêncio aprendemos a linguagem do Espírito. Deus difunde a sua palavra do seu silêncio infinito.
O silêncio na oração, como entre duas pessoas, é um sinal de confiança e de aceitação.
Não se trata apenas de uma ausência de ruído, pois o silêncio é uma questão de atitude e de disposição de viver em vigilância e quietude.

2. A Quietude
O salmo diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” Sl 46,2. A quietude não significa um estado de inércia ou de morte.
A quietude constitui o equilíbrio de todas as forças e energias diferentes de um ser humano: o físico, o mental, o espiritual.
Tal como o silêncio, a quietude tem as mesmas dimensões interiores e exteriores. Na oração devemos alcançar a imobilidade do corpo. É esse o primeiro passo da nossa peregrinação em direcção a Deus, ao centro do nosso ser.
A imobilidade física ajuda-nos a tomar consciência de que o nosso corpo é sagrado: “templo do Espírito Santo”.
Porém, a outra dimensão da quietude é interior. Alcançar a imobilidade do espírito constitui o grande desafio da oração. Como nos podemos acomodar à constante actividade mental? Os budistas afirmam que se efectuam 151 operações mentais em simultâneo… Os nossos desejos, os nossos sonhos, as nossas esperanças podem dividir e dominar o nosso espírito.

3. A Simplicidade
A oração cristã desperta-nos para a realidade de que somos habitantes do Reino de Deus. Jesus revelou-nos que o Reino de Deus está dentro de nós e que também nos devemos tornar como crianças, se quisermos entrar no Reino. “O Reino não é um lugar, mas sim uma experiência” (John Main). Ser simples, não é fácil. Analisamo-nos constantemente. Analisamos os nossos sentimentos, o que nos motiva, as outras pessoas e esta atitude constante de nos dobrarmos sobre nós próprios, torna-nos muito complicados.
Mas Deus é simples – o amor é simples – a meditação é simples.
Ser simples significa, ser autêntico, ou seja, ir para além da consciência de si próprio e da auto-análise.
A meditação é uma prática espiritual universal que nos guia em direcção a esse estado de oração, à oração de Cristo.
Essa oração conduz-nos ao silêncio, à quietude e à simplicidade por um processo, também ele, silencioso, pacificador e simples.
Este processo é a repetição de uma breve palavra sagrada, na fé e no amor, ao longo do tempo de meditação. Essa palavra chama-se mantra. Esta forma antiga de oração cristã foi redescoberta pelo monge beneditino John Main (1926-1982) para cristãos dos tempos modernos.
John Main redescobre este processo de unir o coração, a partir do ensinamento dos primeiros monges cristãos, os Padres do Deserto, principalmente de João Cassiano (séc. IV A.D.). Este ensinamento vai na mesma tradição de “A Nuvem do Não-Saber”, publicado em Inglaterra no séc. XIV.

O Frei John ensina-nos que para meditar devemos:
1. Sentarmo-nos e permanecermos quietos, de costas bem direitas;
2. Fechar os olhos
3. Repetir a palavra mantra interiormente e de forma contínua.
Deve-se escolher um lugar calmo, um momento de tranquilidade de manhã e à noite e meditar aproximadamente 20 a 30 minutos de cada vez.
Um mantra ideal é maranatha, uma antiga oração oriunda do aramaico. Repeti-la continuamente, apoiando igual e claramente cada uma das sílabas. Dizê-la pausadamente e sem nada esperar. Escutar o mantra com todo o nosso ser. Assim que surja uma distração, retomar o mantra calmamente.
O aramaico era a língua de Jesus. É a mesma língua da palavra “abba”. “Maranatha” é a oração cristã mais antiga, que significa “Vem Senhor” ou “o Senhor vem”. São Paulo termina a primeira epístola aos Coríntios e São João, o livro do Apocalipse, com esta frase, que exprime a fé profunda e simples dos primeiros cristãos.
O significado e a ressonância desta palavra são dois elementos importantes. Contudo, ao dizer a palavra mantra, não se deve pensar no seu significado. O mantra conduz-nos de forma mais profunda do que os nossos pensamentos, ao âmago do nosso ser. Leva-nos através da fé. Dizemos o mantra na fé e no amor.
Eis três regras que nos ajudarão a persistir:
Não ter nenhum pedido ou expectativa;
Não avaliar a nossa meditação;
Integrar a meditação na nossa vida do quotidiano e viver cada dia as suas consequências.

In http://www.paroquias.org/meditacao/

O que é a oração?


A oração, segundo o catecismo, é a “elevação do espírito e do coração para Deus”. O que é o espírito? O que é o coração? O espírito pensa, questiona, planifica, inquieta-se, imagina. O coração conhece, ama. A inteligência é a faculdade do saber, o coração, é a do amor.
Grande parte do que aprendemos sobre a oração limita-se ao nível mental. Em criança, ensinam-nos a proferir orações, a pedir a Deus aquilo que necessitamos para nós e para os outros. Isto é apenas uma parte do mistério da oração.
A outra parte é a oração do coração. Nesta oração não procuramos pensar em Deus, nem falar-lhe, nem mesmo pedir-lhe o que quer que seja. Estamos pura e simplesmente com Deus, que habita em nós, no Espírito Santo que Jesus nos deu. A oração do coração é a nossa união com a oração de Jesus no Espírito.
“Nós não sabemos como rezar, mas o próprio Espírito reza em nós.” Rom 8,26
Podemos estabelecer regras para a oração mental – rezar com palavras ou pensar em Deus -. Existem vários “métodos de oração mental”, mas para a oração do coração não existe regra: “Lá onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”. 2 Cor 3,17
Na igreja actual, sobretudo depois dos anos 60, o Espírito Santo ensinou-nos a redescobrir esta outra dimensão da oração. Os documentos do Concílio do Vaticano II, que se reportam à Igreja e à liturgia, acentuam o facto de ser necessário dar “uma oração contemplativa” à vida espiritual dos cristãos dos nossos dias. Todos são chamados à plenitude da experiência de Cristo.
Isto significa que não nos devemos deixar simplesmente ficar ao nível da oração mental: pensar em Deus, falar com Ele ou pedir-lhe que acorra às nossas necessidades. Devemos mergulhar nas profundezas do nosso coração, onde o próprio Espírito de Jesus reza em nós, no silêncio da sua união com o Pai no Espírito Santo. A oração contemplativa não se destina apenas aos monges, às religiosas ou aos místicos. Trata-se de uma dimensão da oração, à qual todos nós somos chamados.

Imaginemos a oração como uma grande roda.
A roda gira toda a nossa vida em direcção a Deus. A oração é essencial para uma vida humana em plenitude. Se não rezamos, vivemos apenas pela metade e a nossa fé desenvolve-se apenas pela metade. Cada um dos raios da roda representa uma forma de oração. Rezamos de diversas maneiras, em momentos diferentes, segundo aquilo que sentimos. Cada um reza à sua maneira. Os raios representam, por exemplo, a eucaristia, os sacramentos, a Escritura, a oração de petição e de intercessão, o rosário, os salmos, as orações diversas...
Estas várias formas de oração são cristãs porque se centram em Cristo. Os raios são formas ou expressões de oração que se inserem no eixo da roda, que representa a própria oração de Jesus.
A oração contemplativa é um estado de abertura e de união total à oração de Jesus. A contemplação é um estado no qual nos encontramos em silêncio, despertos e descontraídos. É a comunhão do amor, com o Pai no Espírito Santo que constitui a essência da oração de Jesus. Assim, a oração cristã significa a entrada na vida da Santíssima Trindade, no, por e com o espírito humano e o coração de Jesus.
Muitos são aqueles que recorrem à oração apenas para pedir a Deus a sua ajuda, sobretudo, em momentos de aflição.
É muito natural exprimir a nossa fé e a nossa confiança em Deus desta forma. Mas, então, onde está a nossa fé em Deus? Como Jesus nos ensinou, Deus conhece as nossas necessidades mesmo antes de nós Lhe pedirmos seja o que for. Exprimindo, assim, as nossas necessidades a Deus, não procuramos nem informá-lO acerca daquilo que desconhece, nem persuadi-lO a alterar o Seu plano.
É antes de mais para fortalecer a nossa confiança que Deus nos conhece e cuida de nós. Sem uma fé profunda e esclarecida, a evolução da nossa oração pode ficar seriamente comprometida e permanecer estática.
A oração do coração, a oração contemplativa, a meditação, é essencialmente uma oração de fé. Mergulhados no silêncio, aceitamos que Deus conheça as nossas necessidades e que esse conhecimento seja Amor.

In http://www.paroquias.org/meditacao/

sexta-feira, 5 de março de 2010

ALGUNS ASPECTOS CANÔNICOS DO MATRIMÔNIO


Conteúdos essenciais
· Consentimento mútuo
· Compromisso de amor e vida
· Contrato válido (entre os cristãos é sacramento)
· Finalidades do matrimônio => unitiva e procriativa
· Propriedades do matrimônio => unidade e indissolubilidade
· Matrimônio => É graça, é dom de Deus, mas exige a cooperação dos cônjuges com esta graça.
· Matrimônio anulado => não existe
· Matrimônio “declarado nulo” => é possível
· Pode ser declarado nulo o matrimônio realizado mesmo havendo impedimento, defeito de consentimento ou falta de forma canônica.

Impedimentos (obstáculos que impossibilitam contrair matrimõnio válido)
· Idade => Idade mínima é de 16 anos para o homem e 14 anos para a mulher. No Brasil a CNBB adotou a idade de 18 e 16 respectivamente.
· Impotência => Incapacidade de se ter uma relação sexual completa com o cônjuge. Essa incapacidade deve ser antecedente ao matrimônio e também perpétua.
· Vínculo matrimonial anterior => Quem está ligado por vínculo canônico anterior.
· Disparidade de culto => Para um católico se unir a um não-batizado é preciso conseguir dispensa deste impedimento dada pelo bispo.
· Ordem sagrada => Bispos, padres e diáconos (a não ser que tenham recebido dispensa da Santa Sé.
· Rapto => Se um dos cônjuges for seqüestrado para realizar o casamento, o matrimônio não pode ser realizado enquanto permanecer o seqüestro.
· Crime => É inválido o matrimônio de quem, com o intuito de contrair novo matrimônio com determinada pessoa, matar o cônjuge desta pessoa ou o próprio cônjuge.
· Consangüinidade => Na linha reta é nulo o matrimônio entre todos os descendentes e ascendentes (pais e filhos, avós e netos). Na linha colateral, são nulos os matrimônios até o quarto grau (irmãos = 2o grau; sobrinhos = 3o grau; primos = 4o grau).
· Afinidade => Relação entre os cônjuges validamente casados e os consangüíneos dos outro. O impedimento, porém, só em linha reta.
· Honestidade Pública => Segue-se o que se diz acima, porém, que os cônjuges não são validamente casados ou vivem em concubinato.
· Parentesco legal => É nulo o casamento entre adotantes e adotados.

Vícios ou defeitos de consentimento
· Insuficiente uso da razão
· Grave falta de discrição de juízo a respeito dos direitos e obrigações essenciais do matrimônio, que se devem mutuamente dar e receber
· Incapacidade de assumir as obrigações essenciais do matrimônio, por causa de natureza psíquica
· Ignorância de que o matrimônio é um consórcio, permanente, entre um homem e uma mulher, ordenado à procriação da prole por meio de alguma cooperação sexual.
· Erro de pessoa (obs.: o erro de qualidade de pessoa, embora seja causa do contrato, não torna nulo o matrimônio, salvo se esta qualidade for direta ou principalmente visada)
· Dolo => enganar para receber o consentimento matrimonial (ex.: esconder a esterilidade ou uma doença grave contagiosa); ou se as palavras pronunciadas não estiverem de acordo com o consentimento interno
· Simulação => Excluir algum elemento essencial ou propriedade essencial do matrimônio
· Medo ou violência

Falta de Forma Canônica
· Ordinário ou pároco assiste fora de seu território
· A assistente não solicita a manifestação do conhecimento e a recebe
· Delegação sem expressar a pessoa do delegado
· Sem a presença de duas testemunhas

ALGUNS ASPECTOS MORAIS DO MATRIMÔNIO


O Amor e o prazer (importância da finalidade unitiva)
· Um ato sexual sem amor, ainda que o motivo pudesse ser o de gerar ou conceber um filho, estaria privado de sua marca específica e seria pecaminoso.
· E as pessoas deveriam saber que o encontro sexual só exprimirá amor se o amor for ativo e atuante em todos os setores de suas vidas.
· Por isso, também, a união sexual só encontra seu espaço legítimo no matrimônio que é “a aliança conjugal e o compromisso pessoal irrevogável, a íntima participação na vida e no amor matrimoniais” (GS 48).
· Com relação ao prazer na vida sexual, na Bíblia não existe a mais leve indicação de que o prazer, como tal, no sexo ordenado, pudesse ser errado.
· Há, todavia, uma grande quantidade de advertências contra a busca do prazer numa vida sexual desordenada.

A fecundidade matrimonial (incluindo as finalidades do matrimônio)
· A fecundidade do amor é uma realidade totalmente diversa da fertilidade biológica e de qualquer produtividade do homem técnico.
· A vocação e a bênção de Deus não foram dadas apenas para produzir filhos, mas para que o homem e a mulher se “conhecessem” reciprocamente, tornassem o mundo mais rico de amor e, se esta fosse a vontade divina, gerassem filhos mediante a superabundância de seu amor.
· Para Santo Afonso, três espécies de finalidades podem ser levadas em conta no matrimônio: a) os objetivos essenciais intrínsecos (que são a autodoação mútua e o laço indissolúvel); b) os objetivos acidentais intrínsecos (que são a transmissão da vida e o remédio para a concupiscência); c) e os objetivos acidentais extrínsecos que podem ser muitos.
· Daí concluímos que: é certo que, excluindo o primeiro, a pessoa não só peca como ainda torna nulo o matrimônio; é certo também que, excluindo o segundo, a pessoa poderia em alguns casos, não só validamente mas também licitamente, contrair matrimônio.

Matrimônio como instituição, vocação e sacramento
· Devemos centrar nossa atenção no Matrimônio como aliança de amor, como vocação e instituição.
· Como crentes que somos, nosso primeiro pensamento é que o matrimônio foi instituído por Deus. O matrimônio é querido por Deus como uma comunidade de amor e como uma comunidade doadora de vida.
· Esta comunidade, por sua vez, necessita da sociedade para garantir sua segurança, sua estabilidade e o desempenho de suas funções inalienáveis.
· O matrimônio cristão precisa da Igreja para sustentar seu ideal e para ajudar os esposos e as famílias a alcançarem uma compreensão cada vez mais perfeita de sua vocação.
· A Igreja, que apresenta o matrimônio como um mistério salvífico, não pode deixar de interessar-se pela maneira como a sociedade encara o casamento, como o protege, como o estimula ou até que ponto o prejudica ou opõe obstáculos.
· Além de uma instituição, o matrimônio é também uma vocação. Uma vocação sublime.
· Em vista de tal vocação os cristãos deverão examinar-se diante de Deus para saber se são de fato chamados ao matrimônio e se têm as qualidades necessárias.
· As qualidades que permitam esperar-se do futuro cônjuge um amor fiel, o respeito mútuo à consciência e a liberdade em face de todo tipo de manipulação que possa diminuir a liberdade íntima de cada uma das partes, e principalmente a liberdade de consciência, são os principais critério de escolha.
· O matrimônio é também um sacramento.
· Sempre, e onde quer que seja, que no mundo e no decorrer da história se vive um amor redimido e redentor no matrimônio e na família, e tal amor se torna um sinal da fidelidade da aliança, então, no sentido verdadeiro, verifica-se uma sacramentalidade, um caminho de salvação.
· Os cristãos, quando são crentes autênticos, estão conscientes da graça e do chamado de Deus conferidos em Cristo Jesus e tendo em vista a aliança deste com a Igreja.
· O matrimônio cristão constitui uma graça e uma oportunidade especiais para conquistar uma percepção agradecida da presença de Cristo e uma confiança explicita na graça do Espírito Santo.
· É vivido com gratidão por causa do apoio que recebe da Igreja e que ele pode dar à Igreja em Cristo Jesus.

Fidelidade e indissolubilidade do matrimônio
· Duas outras coisas que caracterizam o matrimônio cristão são a fidelidade e a indissolubilidade deste sacramento.
· O matrimônio cristão é um sacramento não só como uma imagem externa da aliança entre Cristo e a sua Igreja, mas também, e até mais, como participação na realidade desta aliança.
· Pela fé e pela graça, o autocompromisso que os esposos assumem entre si é, concomitantemente, um autocompromisso, impregnado de graça, com Cristo e com sua aliança.
· Jesus aponta para o plano original do Criador: “Mas desde o princípio da criação ele os fez homem e mulher. Por isso o homem deixará o seu pai e a mãe, e os dois serão uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mc 10, 6-8).

Revelação Divina e Inspiração Bíblica


· Desmitificação da Sagrada Escritura
· Inspiração e Revelação => Não-fundamentalismo bíblico.
· Escritura: Palavra de Deus , palavra do homem.
- Não livro de história positiva;
- Não ditado de palavras
- Formada de orações, “narrativas históricas”, interpretações teológicas.


Revelação Divina:
- Não é um “bloco caído do céu sobre o teto da humanidade”;
- Não é algo estranho ao ser humano;
- Não se manifesta de forma abstrata, desencarnada, fora da realidade;
- Não se apresenta de forma mágica e extra-ordinária;
- É a comunicação concreta de Deus, de forma sobrenatural, manifestada naquilo que é natural;
- É a comunicação feita por Deus ao homem, de verdades que o homem ignorava antes da intervenção de Deus;
- Jesus Cristo é a própria comunicação de Deus. Ele aperfeiçoa e completa a Revelação;
-Toda comunicação de Deus se dá no plano natural. Deus proporciona , nas coisas criadas, um permanente testemunho de si;
-Deus continua se revelando cotidianamente, comunicando nada além do que já fora revelado em Cristo, porém, de uma forma sempre nova.

Inspiração Bíblica
- A Bíblia, toda ela é sob inspiração do Espírito Santo;
- Os livros da Bíblia têm Deus como verdadeiro autor, e assim foram confiados à Igreja;
- Deus escolheu homens, dos quais se serviu, fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, como verdadeiros autores;
- Inspiração Bíblica não é um ditado de palavras vindas do céu;
- Também não é uma força estranha que faz o ser humano agir de forma não humana;
- Deus fala ao coração do homem e não aos seus ouvidos;
- Deus ilumina o ser humano no discernimento dos conceitos que ele já tem, entre o que é e o que não é vontade de Deus;
- É fruto de uma intimidade com Deus e com seu plano de amor.

Inspiração Bíblica é, antes do mais, uma luz que ajuda o homem a avaliar os conhecimentos que já tem; ela nada acrescenta, nem mesmo em matéria religiosa e teológica.

Pe. Ademir Nunes Farias

A Eucaristia


· Ação de Graças a Deus.
· Jesus instituiu este sacramento na última ceia com as palavras: “Fazei isto em memória de mim”.
· A Eucaristia torna presente o santíssimo sacrifício da cruz, acontecido uma vez por todas.
· Graças à Eucaristia nós nos tornamos, misteriosamente, contemporâneos do acontecimento da Páscoa do Senhor.
· “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício” (CEC 1367).
· “A Eucaristia é mistério de presença, por meio do qual se realiza de modo absoluto a promessa de Jesus de permanecer conosco até o fim do mundo” (MND 16).
· “Ao mesmo tempo, enquanto atualiza o passado, a Eucaristia nos projeta rumo ao futuro da última vinda de Cristo, no fim da história” (MND 15).
· “Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-se ‘pão da vida’, ‘pão vivo’, na Eucaristia” (EE 14).
· Esta realidade só pode ser aceita pela fé. É um “mistério da fé”.
· Na Eucaristia a glória de Cristo está velada (cf. MND 11).
· “A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério, e ele não cessa de ser ocasião de divisão” (CEC 1336).
· “Na Eucaristia temos Jesus, o seu sacrifício redentor, a sua ressurreição, temos o dom do Espírito Santo, temos a adoração, a obediência e o amor ao Pai” (EE 60).
· A Eucaristia é alimento que fortalece e encoraja os homens nesta caminhada temporal rumo à eternidade.
· “Receber a Eucaristia é entrar em comunhão profunda com Jesus... Nos permite antecipar, de algum modo, o céu na terra” (MND 19).
· “Quem se alimenta de Cristo na Eucaristia não precisa esperar o ‘Além’ para receber a vida eterna: já a possui na terra, como primícias da plenitude futura, que envolverá o homem na sua totalidade” (EE 18).
· A quem tenha a experiência de uma Eucaristia autenticamente vivida, talvez encontre aqui a imagem mais perfeita da glória.
· “A Igreja vive de Jesus Eucarístico, por ele é nutrida, por ele é iluminada” (EE 6).
· O “Deus Conosco”, que se realizou na vinda do Verbo Eterno ao mundo, perpetua-se de modo eminente na Eucaristia da Igreja.
· A Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo nossa Páscoa.
· “Maria praticou a sua fé Eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre para a Encarnação do Verbo de Deus” (EE 55).
· É necessário “redescobrir a celebração eucarística como coração do Domingo” (MND 7).

Carta de Madre Teresa sobre o aborto


A mãe que pensa em abortar, deve ser ajudada a amar

(...) Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe.
E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é que nós podemos dizer às outras pessoas para não se matarem? Como é que nós persuadimos uma mulher a não fazer o aborto? Como sempre, nós devemos persuadi-la com amor e nós devemos nos lembrar que amor significa estar disposto a doar-se até que machuque. Jesus deu Sua vida por amor de nós.
Assim, a mãe que pensa em abortar, deve ser ajudada a amar, ou seja, a doar-se até que machuque seus planos, ou seu tempo livre, para respeitar a vida de seu filho. O pai desta criança, quem quer que ele seja, deve também doar-se até que machuque.
Através do aborto, a mãe não aprende a amar, mas mata seu próprio filho para resolver seus problemas.
E, através do aborto, diz-se ao pai que ele não tem que ter nenhuma responsabilidade pela criança que ele trouxe ao mundo. Este pai provavelmente vai colocar outras mulheres na mesma situação. Logo, o aborto apenas traz mais aborto.
Qualquer país que aceite o aborto não está ensinando o seu povo a amar, mas a usar de qualquer violência para conseguir o que se quer. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.
Muitas pessoas são muito, muito preocupadas com as crianças da Índia, com as crianças da África onde muitas delas morrem de fome, etc. Muitas pessoas também são preocupadas com toda a violência nos Estados Unidos. Estas preocupações são muito boas. Mas freqüentemente estas mesmas pessoas não estão preocupadas com os milhões que estão sendo mortos pela decisão deliberada de suas próprias mães. E isto é que é o maior destruidor da paz hoje — o aborto que coloca as pessoas em tal cegueira.
E por causa disto eu apelo na Índia e apelo em todo lugar — “Vamos resgatar a criança.” A criança é o dom de Deus para a família. Cada criança é criada à imagem e semelhança de Deus para grandes coisas — para amar e ser amada. Neste ano da família nós devemos trazer a criança de volta ao centro de nosso cuidado e preocupação. Esta é a única maneira pela qual nosso mundo pode sobreviver porque nossas crianças são a única esperança do futuro. Quando as pessoas mais velhas são chamadas para Deus, somente seus filhos podem tomar seus lugares.
Mas o que Deus diz para nós? Ele diz: “Mesmo se a mãe se esquecer de seu filho, Eu jamais te esquecerei. Eu gravei seu nome na palma de minha mão.” (Is 49). Nós estamos gravados na palma da mão de Deus; aquela criança que ainda não nasceu está gravada na mão de Deus desde a concepção e é chamada por Deus a amar e ser amada, não somente nesta vida, mas para sempre. Deus jamais se esquece de nós.
Eu vou lhe contar uma coisa bonita. Nós estamos lutando contra o aborto pela adoção — tomando conta da mãe e da adoção de seu bebê. Nós temos salvo milhares de vidas. Nós mandamos a mensagem para as clínicas, para os hospitais e estações policiais: “Por favor não destrua a criança, nós ficaremos com ela.” Nós sempre temos alguém para dizer para as mães em dificuldade: “Venha, nós tomaremos conta de você, nós conseguiremos um lar para seu filho”. E nós temos uma enorme demanda de casais que não podem ter um filho — mas eu nunca dou uma criança para um casal que tenha feito algo para não ter um filho. Jesus disse, “Aquele que recebe uma criança em meu nome, a mim recebe.” Ao adotar uma criança, estes casais recebem Jesus mas, ao abortar uma criança, um casal se recusa a receber Jesus.
Por favor não mate a criança. Eu quero a criança. Por favor me dê a criança. Eu estou disposta a aceitar qualquer criança que estiver para ser abortada e dar esta criança a um casal que irá amar a criança e ser amado por ela.
Só de nosso lar de crianças em Calcutá, nós salvamos mais de 3000 crianças do aborto. Estas crianças trouxeram tanto amor e alegria para seus pais adotivos e crescem tão cheias de amor e de alegria. Eu sei que os casais têm que planejar sua família e para isto existe o planejamento familiar natural. A forma de planejar a família é o planejamento familiar natural, não a contracepção.
Ao destruir o poder de dar a vida, através da contracepção, um marido ou esposa está fazendo algo para si mesmo. Atrai a atenção para si e assim destrói o dom do amor nele ou nela. Ao amar, o marido e mulher devem voltar a atenção entre si como acontece no planejamento familiar natural, e não para si mesmo, como acontece na contracepção. Uma vez que o amor vivo é destruído pela contracepção, facilmente segue-se o aborto.
Eu sei também que existem enormes problemas no mundo — que muitos esposos não se amam o suficiente para praticar o planejamento familiar natural. Nós não temos condições de resolver todos os problemas do mundo, mas não vamos trazer o pior problema de todos, que é a destruição do amor. E isto é o que acontece quando dizemos `as pessoas para praticarem a contracepção e o aborto.
Os pobres são grandes pessoas. Eles podem nos ensinar tantas coisas belas. Uma vez uma delas veio nos agradecer por ensinar-lhe o planejamento familiar natural e disse: “Vocês que praticam a castidade, vocês são as melhores pessoas para nos ensinar o planejamento familiar natural porque não é nada mais que um autocontrole por amor de um ao outro.” E o que esta pobre pessoa disse é a pura verdade. Estas pessoas pobres talvez não tenham algo para comer, talvez não tenham uma casa para morar, mas eles ainda podem ser ótimas pessoas quando são espiritualmente ricos.
Quando eu tiro uma pessoa da rua, faminto, eu dou-lhe um prato de arroz, um pedaço de pão. Mas uma pessoa que é excluída, que se sente não desejada, mal amada, aterrorizada, a pessoa que foi colocada para fora da sociedade — esta pobreza espiritual é muito mais difícil de vencer. E o aborto, que com freqüência vem da contracepção, faz uma pessoa se tornar pobre espiritualmente, e esta é a pior pobreza e a mais difícil de vencer.
Nós não somos assistentes sociais. Nós podemos estar fazendo trabalho de assistência social aos olhos de algumas pessoas, mas nós devemos ser contemplativas no coração do mundo. Pois estamos tocando no corpo de Cristo e estamos sempre em Sua presença.
Você também deve trazer esta presença de Deus para sua família, pois a família que reza unida, permanece unida.
Existe tanto ódio, tanta miséria, e nós com nossas orações, com nosso sacrifício, estamos começando em casa. O amor começa em casa, e não se trata do quanto nós fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos.
Se somos contemplativas no coração do mundo com todos os seus problemas, estes problemas jamais podem nos desencorajar. Nós devemos nos lembrar o que Deus fala na Escritura: “Mesmo se a mãe esquecer-se do filho que amamenta — algo impossível, mesmo se ela o esquecesse — Eu não te esqueceria nunca.”
E aqui estou eu falando com vocês. Eu desejo que vocês encontrem os pobres daqui, na sua própria casa primeiro. E comece a amar ali. Seja a boa nova para o seu próprio povo primeiro. E descubra sobre o seu vizinho ao lado. Você sabe quem são eles?
Deus jamais nos esquecerá e sempre existe algo que você e eu podemos fazer. Nós podemos manter a alegria do amor de Jesus em nossos corações, e partilhar esta alegria com todos aqueles de quem nos aproximarmos.
Vamos insistir que — cada criança não seja indesejada, mal amada, mal cuidada, ou morta e jogada fora. E doe-se até que machuque — com um sorriso.
Porque eu falo muito sobre doar-se com um sorriso nos lábios, uma vez um professor dos Estados Unidos me perguntou: “Você é casada?” E eu disse: “Sim, e algumas vezes eu acho difícil sorrir para meu esposo, Jesus, porque Ele pode ser muito exigente — algumas vezes.” Isto é mesmo algo verdadeiro.
E é aí que entra o amor — quando exige de nós, e ainda assim podemos dar com alegria.
Se nos lembrarmos que Deus nos ama, e que nós podemos amar os outros como Ele nos ama, então a América pode se tornar um sinal de paz para o mundo. Daqui deve sair para o mundo, um sinal de cuidado para o mais fraco dos fracos — a futura criança. Se vocês se tornarem uma luz ardente de justiça e paz no mundo, então vocês serão verdadeiramente aquilo pelo qual os fundadores deste país lutaram. Deus vos abençoe!

Fonte: Frente Católica de Combate ao Aborto

Madre Teresa

A Vida em Comunidade


· Os que acolheram a palavra de Deus “mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42).
· A Igreja é “um mistério de comunhão, que reflete , com as limitações de seus membros e os limites do tempo e do espaço, o mistério da comunhão trinitária” (Doc. 62 – CNBB, n. 64).
· A Igreja é comunhão de pessoas, chamadas uma a uma pelo mesmo Espírito Santo, salvaguardando cada singularidade, cada vocação e cada missão, para que participem da plena unidade, como imagem da Trindade.
· “A comunhão trinitária torna-se, então, fonte da vida e da missão da Igreja, modelo de suas relações e meta última de sua peregrinação” (Doc. 62 – CNBB, n. 64).
· No Batismo somos marcados com o sinal da Trindade, encorporados à Igreja, cuja a cabeça é Cristo, e ao mesmo tempo capacitados para o serviço do anúncio do Reino de Deus.
· Todos os cristãos têm a obrigação de manifestar, pelo exemplo e testemunho, o homem novo de que se revestiram no Batismo.
· “Deus, que por todos cuida com solicitude paternal, quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos” (GS 24).
· Os cristãos devem lutar com todas as forças para afastar de si tudo aquilo que divide, uma vez que, a divisão entre os irmãos “contradiz abertamente a vontade de Cristo e se constitui um escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda criatura” (UR 1).
· Devemos ter sempre o respeito uns para com os outros, “de maneira que cada um deve considerar o próximo, sem exceção, como ‘outro eu’” (GS 27).
· Todos os cristão são vocacionados a participar ativamente da missão da Igreja.
· “A Igreja toda deve – cada vez mais – colocar-se efetiva e concretamente a serviço do Reino, para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Doc. 62 – CNBB, n. 76).
· Somos todos co-responsáveis nos diferentes serviços e ministérios da Igreja.
· Chamamos a Igreja de “’toda ministerial’, de ‘corresponsabilidade diferenciada’, de ‘todos responsáveis na Igreja’, de ‘Igreja de responsabilidades apostólicas compartilhadas’, de ‘Igreja toda em serviço’, de ‘ comunidade enviada de serviço’, de ‘ comunhão e participação’” (Doc. 62 – CNBB, n. 77).
· Para sermos aquele sinal de unidade e paz que o mundo procura, devemos cultivar as atitudes da acolhida, da misericórdia, da profecia e da solidariedade (cf. Doc. 62 – CNBB, n. 114) primeiramente entre nós.
· O Batismo nos habilita para a comunhão e participação da Igreja, como também nos capacita para exercermos responsavelmente, sob o critério da verdadeira caridade cristã, toda a missão a nós confiada.
· Este sacramento insere o homem na condição de filho de Deus, numa união pessoal com Cristo, na vivência de uma nova vida e inserção na vida da comunidade eclesial.
· Inserção desinteressada e humilde, e não na espera de recompensa temporal.
· Inserção segundo o modelo de Cristo, que humilhou-se por amor do Reino.
· Inserção por amor do próximo, como doação da própria vida, e não por “status”.
· Inserção como cuidado pelo bem da comunidade e não por apego desordenado.
· Inserção pela capacidade de pedir perdão até “setenta vezes sete”, como também a capacidade de perdoar sempre.
· Surge a necessidade de uma vida coerente que uma atos e palavras. Que fale do amor, porém, que tenha a experiência viva deste amor.
· Todos os membros da Igreja são habilitados à participar da vida da Igreja.
Pe. Ademir Nunes Farias

SER EUCARÍSTICO É SER FRATERNO


Uma exigência da Eucaristia é a fraternidade. Uma grande incoerência é me aproximar do Sacramento da partilha, do Sacramento que me alimenta e sustenta, do Sacramento do corpo, sangue, alma e divindade do meu Senhor, sem querer me comprometer com a vida dos irmãos e das irmãs. Comungar é uma atitude que exige de nós querer ser parecidos com Jesus. Ao comungar devemos desejar tornar-nos um com o Senhor, viver a vida de Jesus e permitir que Jesus viva em nós também.
O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, nos adverte para não comermos e bebermos do corpo e sangue de Jesus sem discernir este sacramento, ou seja, comer e beber da Eucaristia sem querer comprometer-se com o próximo, ou sem querer compreendê-lo como irmão, ou sem querer acolhê-lo como parte de nós mesmos. Paulo diz, que aquele que comer e beber dos corpo e sangue do Senhor indignamente, ou seja, se não der um testemunho de fraternidade, come e bebe a própria condenação. A Eucaristia é o Sacramento que nos reconcilia com Deus e com os irmãos. Não é um ritual vazio ou mágico. Não é um jantar descomprometido. Ao contrário, a Santíssima Eucaristia que somos convidados a adorar e a comungar é uma pessoa. O próprio Senhor que morreu na cruz, ressuscitou e está glorificado é que se dá a nós no sacramento da comunhão e pede de nós um testemunho a partir de casa, com o nosso próximo mais próximo, com aqueles com os quais vivemos e convivemos.
Jesus Eucarístico quer que sejamos parecidos com ele. Que tenhamos um coração acolhedor como o dele. Que saibamos enxergar nas pessoas o rosto do filho de Deus que quer ser irmão entre os irmãos.

Pe. Ademir Nunes Farias