LITURGIA DIÁRIA

terça-feira, 26 de maio de 2009

PENTECOSTES E A EUCARISTIA



Meus amados irmãos e amadas irmãs, no próximo Domingo toda a Igreja celebrará o dia de Pentecostes. Aquele dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo cumpriu a sua promessa de não permitir que ficássemos sozinhos neste mundo. O dia de Pentecostes é o dia em que Jesus mandou do céu o seu Espírito Santo, o outro defensor como ele mesmo disse. O espírito Santo de Deus mandado por Jesus não é uma energia cega nem uma força abstrata, mas é uma pessoa. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, e por isso, é Deus mesmo. Não é algo, mas é alguém. E alguém com que podemos partilhar a nossa vida, nossos trabalhos, nossas dificuldades, mas também , nossas alegria e sucessos. O espírito Santo é Deus e nunca está indiferente a nós, mas muito pelo contrário, está sempre atento ao nosso clamor.
Esta festa solene em que nós cristãos celebramos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria, recebe o nome de Pentecostes, uma vez que, este acontecimento extraordinário se deu justamente no dia em que os judeus celebravam uma grande festa que trazia o nome de Pentecostes. Esta era a festa em que o sacerdote judeu oferecia a Deus os frutos das colheitas, rendia graças por toda a colheita. (Lv 23,10). Também era a festa em que se rendia glória a Deus por ter dado a Lei à Moisés e a todos o povo. Pois bem, foi num dia de festa entre os judeus que, do céu o Senhor enviou o seu Espírito Santo para conduzir e missão dos apóstolos e de todos aqueles que haveriam de aderir a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Pentecostes é, portanto, a festa na qual, em solenidade, rendemos contínuas graças ao Altíssimo pela efusão de Seu Divino Espírito sobre a Igreja.
São Lucas nos diz: “Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiram e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimissem.” (At 2,1-4). Como bem sabemos, irmãos e irmãs, “no dia de Pentecostes, pela infusão do Espírito Santo, a Igreja manifestou-se ao mundo.” (Lumen Gentium, 2). Foi a partir de Pentecostes que os apóstolos realizaram maravilhas em nome de Cristo. Mas vejam: Pentecostes não foi um acontecimento vivido unicamente pelos contemporâneos de Jesus Cristo. Não foi um acontecimento isolado, ocorrido uma única vez. A história da Igreja Católica é a seqüência nunca interrompida da atualização de Pentecostes. Contemplar, aos olhos da fé, a história da humanidade é perceber que o Espírito Santo esteve e está sempre ativo na Igreja e no mundo. Repito: Pentecostes não foi um fato isolado. Como há dois mil anos, o Espírito Santo continua sendo derramado sobre a Igreja e se oferecendo para nos ajudar a caminhar mais adequadamente. O mesmo Espírito derramado sobre os apóstolos é derramado sobre nós no nosso Batismo e quer reavivar a chama batismal todos os dias da nossa vida. Sendo dóceis ao Divino Espírito, nos tornamos testemunhas de Cristo. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e viremos a ele, e nele faremos morada.” (Jo 14,23). Esta é a promessa do Senhor.
Agora, é claro irmãos, que para que a ação do Espírito seja eficaz em nós, depende da nossa colaboração, de querermos usar nossa inteligência e de nos esforçarmos. Este Divino Espírito, dado a nós em Pentecostes, é por ele que somos instruídos em tudo o que é preciso para vivermos bem.
É através dele também, de sua iluminação e ensinamento que adquirimos a consciência de que a celebração da Eucaristia é um momento privilegiado para cultivar a devoção ao Espírito Santo. É pela participação freqüente no sacramento eucarístico, irmãos, que confirmamos a certeza de que participar da Eucaristia é se abrir ao Espírito de Cristo. Em união com o Espírito Santo, renovamos os propósitos de combater todos os pecados, criando as devidas disposições para se receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Cristo.
Como nos adverte Santo Agostinho, “se, pois, quiserdes viver do Espírito, conservai a caridade, amai a verdade, desejai a unidade e conseguireis a eternidade.” (Tratados,267,4). Esses ideais (a caridade, a unidade e a eternidade) são alcançados todos os dias em que, em estado de graça, nos aproximamos do altar e somos alimentados com o Pão da eternidade, o Pão eucarístico que fortalece a nossa caminhada espiritual.
Pela ação do Espírito em nosso íntimo, temos a capacidade de testemunhar que, participar da Eucaristia é ser igreja no mundo. Como bem sabemos, “a Igreja vive da Eucaristia, vive da plenitude deste sacramento.”. Vejam, participar dignamente da Eucaristia é se abrir ao Espírito Santo. Participar dignamente da Eucaristia é se assumir como igreja, é se assumir como sacrário onde habita Deus. Quando nós participamos da Eucaristia, escutamos o Espírito Santo sussurrando em nossos ouvidos dizendo: “Sereis minhas testemunhas.” (At 1,8). É o Divino Espírito que conduz o nosso agir e o nosso falar. Irmãos, quando recebemos a Eucaristia, o Divino Espírito nos une intimamente a Cristo. Quando recebemos a Eucaristia, Jesus Cristo nos une num só corpo, a Igreja.O Espírito Santo nos conduz à Eucaristia. O Espírito Santo faz com que Cristo crucificado e ressuscitado esteja realmente presente para nós na refeição eucarística. O Espírito Santo é a incomensurável força de amor que torna a Eucaristia possível. O Espírito Santo é quem atualiza e vivifica as palavras de Cristo que dizem: “Isto é o meu corpo” e “Isto é o meu Sangue”.
Pe. Ademir Nunes Farias

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