VIDEOS

Loading...

LITURGIA DIÁRIA

sábado, 9 de maio de 2009

MARIA: MODELO DO SEGUIMENTO DE JESUS


Queridos irmãos e irmãs, nós estamos no mês de Maio. E o mês de Maio nós chamamos de mês de Maria. Maria, esta pessoa, esta mulher que é tão cara par nós cristãos católicos. Ela é alguém que pode ser vista como um modelo de seguimento de Jesus. Ela soube, muito perfeitamente seguir os passos de seu filho, nos momentos alegres mas também nos momentos de dificuldades. Maria, a escolhida de Deus, se apresenta como aquela que ama a Deus de tal modo, que só sabe ser fiel ao projeto de Deus de salvar a humanidade.
Maria foi escolhida por Deus para uma missão muito especial na história da salvação. É ela a mãe que dá à luz ao Messias. Ela foi penetrada, de forma integral, pela ação do Espírito Santo, não simbolicamente, mas em toda a sua realidade, por pura graça de Deus.
Maria é o modelo perfeito para aqueles que querem acolher a graça da salvação. Maria "é nossa irmã, porque pertence à comunidade humana. Ela compartilhou nossas experiências humanas fundamentais, as felizes (o amor maternal e conjugal, a entrega virginal, a pertença a seu povo) e também as experiências dolorosas (a morte, a pobreza, o exílio, a incompreensão, a violência). Maria é mais nossa irmã porque é redimida, porque foi salva pelo amor redentor de seu filho".
Ela, mesmo tendo sido concebida sem pecado, ou seja, desde o primeiro instante de sua concepção, por graça de Deus e pelos méritos de Cristo, preservada imune de toda mácula da culpa original, precisou ainda ser salva. A ausência do pecado em Maria não quer dizer que ela não teve necessidade de ser salva. Ela foi preservada do pecado e essa preservação do pecado "é fruto da redenção operada pelo sacrifício da cruz, que a misericórdia de Cristo aplicou a Maria antecipadamente, como um dom gratuito." O mais importante é que tal graça foi acolhida por Maria e preservada durante toda a sua existência histórica. Aí está um grande mérito de Maria: acolher a graça de Deus e, independentemente das dificuldades, saber cultivá-la com amor e disponibilidade.
Pois bem, todos nós a exemplo da Virgem Maria podemos alcançar esta graça. Realmente pode alcançar a salvação aquele ou aquela que se engaja, de forma explícita ou implícita, no seguimento de Jesus. De forma explícita todos os batizados, que conheceram Cristo e fizeram opção por segui-lo; de forma implícita, aqueles que não são cristãos que, mesmo sem fazer uma opção consciente por Cristo, acabam por viver o Evangelho, promovendo gratuitamente o amor fraterno.
Maria é a Mãe de Deus, e é assim chamada, pois deu à luz carnalmente ao Verbo de Deus, ao Filho eternamente gerado pelo Pai segundo a divindade, mas para a nossa salvação por ela gerado segundo a humanidade. E "ser Mãe de Deus significa que a Virgem está totalmente participando do movimento da salvação, e, portanto, que o que é gerado por ela não é fruto de poder ou capacidade humana, mas só e unicamente da onipotência divina. Maria é Mãe de Deus enquanto seu filho foi gerado desde a eternidade no seio do Pai, e, por livre e gratuita escolha de amor salvífico, é gerado no tempo e na história por seu seio virginal na plena humanidade assumida por ele."
Pois bem, a ela (Maria) cabe o mérito de ser principal modelo de engajamento no seguimento de Cristo, seu filho. Os poucos acenos que os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos fazem acerca da pessoa de Maria de Nazaré, são suficientes para percebermos que ela aparece quando da apresentação dos principais momentos da vida de Jesus.
É Maria que dá o "sim", o "fiat", no momento da anunciação (cf. Lc 1, 26-38). Começa ali seu papel de evangelizadora, de propagadora do reino, uma vez que acolhe, não sem comprometer-se, dentro do seu ventre o Filho de Deus, salvação para a humanidade e o mundo inteiro. "Maria deu seu 'Fiat' ao Messias, salvador do povo, em proveito de toda a humanidade, participando assim fundamentalmente da redenção trazida por Cristo em pessoa." "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (cf. Lc 1,38).
Maria é aquela que acompanhou toda a infância do menino Jesus. Coube à ela educá-lo, ensinar-lhe as primeiras palavras e ajudar-lhe nos primeiros passos. Coube também à ela ensinar-lhe a rezar e a preocupar-se com o seu bem-estar (cf. Lc 2, 41-50). E assim, durante toda a vida oculta de Jesus em Nazaré, onde este crescia em sabedoria, estatura e em graça diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2, 51-52), ali estava Maria participando da sua vida.
Na vida pública de Jesus, teve Maria, sem dúvida, participação singular. Nas Bodas de Caná, por exemplo, ela está ao lado de seu filho e testemunha o primeiro milagre dele, segundo o registrado no Evangelho (cf. Jo 2, 1-11).
Também ao pé da cruz, no momento de sofrimento e extremo aniquilamento de Jesus, sua mãe ali permanecia, solidarizando-se com ele, sofrendo com ele, perseverando ao seu lado (cf. Jo 19, 25-27). A morte de Jesus, porém, não foi motivo para Maria abandonar a causa do reino anunciado por seu filho. "No Calvário ela não é só a mãe das dores mas também a mãe da esperança." A experiência de Maria como mãe e discípula não terminou ao pé da cruz, mas ela também foi testemunha da ressurreição. E mais, depois da ascensão de Cristo, ela permaneceu unida à comunidade dos apóstolos, esperando a vinda do Espírito Santo (cf. At 1, 12-14).
Maria entendeu perfeitamente que o seguimento de Cristo não permite à pessoa alinhar-se consigo mesma, defender-se a si própria, agarrando-se a si mesma, na tentativa de tornar segura a própria vida. Mas, pelo contrário, seguir o Cristo, é saber renunciar a si mesmo, pondo-se à disponibilidade de Deus continuamente até o fim (cf. Lc 9,23). Assim foi mãe de Jesus; aquela que seguiu o seu filho também na kênosis. Foi Maria, quando da perda de Jesus no templo, quem teve de ouvir: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que devia estar na casa de meu Pai?" (Lc 2,41ss). Em Caná, ao seu pedido Jesus responde: "Que temos nós com isso, mulher?" (Jo 2,4). Quando Maria quer falar com Jesus em meio à multidão, eis que alguém o avisa da presença de sua mãe e de seus irmãos. Jesus simplesmente pergunta: "Quem são minha mãe e meus irmãos" (Mc 3,33). Isso para dizer que "também Maria teve de experimentar a sua 'kênose'. A 'kênose' de Jesus consistiu no despojamento de seus legítimos direitos... A 'kênose' de Maria consistiu em deixar-se despojar de seus legítimos direitos de mãe do Messias, parecendo diante de todos uma mulher como as outras". Maria, merece ser lembrada e celebrada de modo especial neste mês de Maio, mas não só neste mês, porque todas as vezes que pensamos na sua vida e fixamos nosso olhar no seu jeito de ser, nós reconhecemos aquilo que todos nós devemos ser se quisermos seguir mais adequadamente Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Virgem Maria apresenta em sua vida histórica, na sua maneira de ser no quotidiano, atitudes próprias da pessoa que deseja participar da vida de Deus, vida que nos é oferecida gratuitamente.
A mãe de Jesus é a mulher da obediência e da fé. Aliás, "o nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade, a Virgem Maria desligou pela fé". A palavra obediência vem do verbo ouvir, em latim "ob audire". Dizer que Maria é modelo de obediência para nós, é afirmar que ela dispôs-se a ouvir com atenção e meditação àquele que realmente tem autoridade para nos falar: Deus. E essa atitude de ouvir e obedecer não é senão uma atitude de fé.
"Maria creu em Jesus antes que Jesus fosse Jesus." Ela soube perfeitamente colocar-se com disponibilidade diante de Deus, como compete à criatura. Plenamente foi capaz de viver da fé (cf. Rm 1,7; Hb 10,38). A vivência da fé, porém, não significa portar-se passivamente diante da história, simplesmente esperando que Deus faça o que é preciso sem que o ser humano coloque a "mão na massa". Não foi uma "pseudo-fé" que Maria viveu. Ela creu em Deus, confiou na graça dele, mas também sabia da necessidade do cumprimento de seus deveres, de suas lutas cotidianas. Irmãos, ter fé é crer no que ainda não se vê, cooperando com a graça de Deus para que o reino se realize na história. A graça é dom de Deus que sempre quer contar com nossa contribuição.
A mãe de Jesus é também a mulher do serviço e da solidariedade. Ser servidor ou servidora é uma das principais características do homem e da mulher que cultiva a verdadeira fé em Deus. O serviço está entranhado na atitude de fé porque é, acima de tudo, uma atitude de amor. Foi amando que Maria disponibilizou-se a ir à casa de Isabel, sua parenta grávida (cf. Lc 1, 39-45), para exercer ali, diante da necessidade de Isabel, um serviço. O homem novo e a mulher nova se espelham na atitude amorosa de Maria, que é inserida dentro da história das mulheres fortes, agentes históricos de mudança, ou seja, uma mulher que dentro de uma sociedade de exploração ou de um "salve-se quem puder" (como é o caso de Maria), dá um testemunho autêntico de solidariedade.
Maria é também a mulher da oração e da esperança. No silêncio de Maria está um grande exemplo de uma pessoa orante. Exemplo de quem põe-se a ouvir o que Deus tem a falar-lhe e a pedir-lhe. A disponibilidade para ouvir capacita a pessoa humana para reconhecer a voz do que fala. O verdadeiro seguidor de Jesus, aprende com a mãe dele a ouvir os sinais da humanidade que chora por um mundo melhor e clama para que o reino de Deus se realize, e, diante disto, não fica passivo, mas ao contrário, é impulsionado a dizer: "Eles não têm mais vinho" (cf. Jo 2, 1-11), eles estão sendo violentados, eles não têm o que comer, eles choram pela discriminação (racial, cultural, social), eles sofrem com salários indignos, eles morrem nas praças e becos. Maria ora na contemplação, meditando tudo no coração (cf. Lc 2,51), mas ela ora também na ação, ou seja, transforma sua oração em atividade fraterna (cf. Jo 2,1ss).
Não podíamos deixar de dizer, ainda, que a Virgem de Nazaré é a mulher da evangelização e da humildade. Ela "sobressai entre os humildes e os pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com fé a salvação". "Maria deixa a sua casa e, sem ser acompanhada por José, dirige-se à casa de sua prima , à uma cidade de Judá... O Evangelho de Deus anunciado por Gabriel continua seu curso e Maria transforma-se agora em mensageira do Evangelho para a sua prima e para aqueles que Isabel representa, o antigo povo... Com Maria iniciou-se a evangelização na Igreja. Ela, portadora de Jesus, evangeliza com sua simples e alegre presença."
A vida histórica de Maria de Nazaré, permeada pela obediência e fé, pelo serviço e solidariedade, pela oração e esperança, pela missão e humildade (tudo isto brotado de um intenso amor a Deus e à humanidade) rendeu a ela ser assumida por Deus no céu. Assim nos afirma o dogma da Assunção de Maria: "A Imaculada Mãe de Deus, Maria sempre Virgem, após haver terminado o curso de sua vida terrestre, foi elevada (assunta) em corpo e alma à glória celeste."
Daí podemos perguntar: Não será este o destino de toda a humanidade salva por Cristo, que acolhe com fé, esperança e amor esta graça? Também nós não haveremos de participar da glória de Deus como Maria já o faz? Claro que sim! Maria é modelo para toda pessoa humana que deseja ser assumida na glória de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário