LITURGIA DIÁRIA

domingo, 29 de março de 2009

QUARESMA: UM TEMPO DE RECOLHIMENTO E ADORAÇÃO


A Quaresma é um tempo de recolhimento, de reflexão e de adoração intensa. É um tempo que nos convoca a caminharmos mais firmemente na via da virtude, ou seja, realizarmos exercícios que nos impulsionem a vivência das virtudes. A virtude é um hábito bom, e só poderemos ser virtuosos, ou seja, agir de forma que algum comportamento faça parte da nossa maneira de viver, se nós realizarmos de forma constante atitudes boas. Quando realizamos um ato bom e repetimos este ato, ele passa a fazer parte da nossa vida, de maneira que não podemos mais viver sem fazer o bem ou sem realizar aquele ato bom. O ato tornou-se um hábito, e um hábito bom.
Ninguém alcança a virtude simplesmente através de um ato isolado. Porém, quando este ato é repetido de forma piedosa e bem intencionada, ele passa a fazer parte da vida da pessoa. Podemos dar como exemplo o ato de orar. Ninguém alcança a virtude da oração de uma forma mágica ou através de um simples ato isolado de rezar. Deus no nosso Batismo infundiu em nós a capacidade de sermos pessoas orantes, porém, para alcançarmos a virtude da oração é preciso que tenhamos a disposição de nos colocarmos em oração e repetirmos esta atitude todos os dias. Mesmo naquele dia em que humanamente não estamos tão dispostos para orar. É através da perseverança nas atitudes e atos bons que passamos a ter hábitos bons, ou seja, passamos a ser virtuosos.
Viver o recolhimento é querer e se esforçar por caminhar na via das virtudes. Viver o recolhimento é se despojar de tudo o que exagerado. É buscar ser temperante, equilibrado, buscar viver em tudo de forma harmoniosa. Viver o recolhimento é dispor-se a lutar contra os vícios. E não pensemos aqui que os vícios são apenas relacionados à dependência química. É claro que estes vícios do álcool, da droga, da deturpação da sexualidade são desgraças contra os quais devemos sim lutar constantemente, porém, existem outros vícios que urgentemente precisam ser combatidos, e nada melhor do que este período quaresmal de reflexão para ajudar na conversão destes vícios em virtudes.
O vício da fofoca, que faz tanto mal às pessoas, que destrói tantas famílias, que entristece e magoa tanta gente. O vício da calúnia: existem pessoas que não sabem viver senão para falar mal das outras pessoas; sempre estão procurando um defeito, uma falha nos outros para poder tecer comentários maldosos; e quando não encontram tais defeitos são capazes de inventar um para poder ter o que falar. O vício da inveja, do ciúmes, da mentira, o vício de falar palavrões. Tudo isto nasce de um simples ato mal que é repetido tantas vezes que passa a tornar-se um hábito mal. Se alguém toma a decisão de mentir, uma, duas três vezes, adquiri o mal hábito de mentir, ou seja, torna-se um viciado em mentira, e isto leva esta pessoa e tantas outras à desgraça.
Viver o recolhimento na quaresma é uma forma de adquirirmos o hábito de viver este recolhimento em todos os dias e situações da nossa vida. Aprender a lutar contra os vícios e a praticar as virtudes se dá no exercício quotidiano, na luta do dia-a-dia, no desejo de ser melhor. No ambiente secularizado que nos rodeia, o caminho quaresmal exige um esforço de vontade cada vez mais forte. Na vida de cada dia, corremos o risco de nos deixarmos absorver por preocupações e interesses materiais. A Quaresma é a ocasião favorável para despertar a fé autêntica, para a saudável recuperação da relação com Deus e para um compromisso evangélico mais generoso. Os instrumentos à nossa disposição são os de sempre, mas nestas semanas devemos recorrer a eles de forma mais intensa: a oração, o jejum, a penitência e a esmola, ou seja, a partilha com os mais necessitados, daquilo que possuímos.”

Pe. Ademir N. Farias

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